23 maio 2013

[FILME] Compliance



A lei de Murphy é mais efetiva do que a lei da gravidade: não importa em que época ou mesmo mundo você esteja, tudo que pode de dar errado dará.

Sandra experimenta um dia assim no seu trabalho: supervisora de um restaurante de uma cadeia de fast-food, ela acaba de perder 1300 dólares em produtos graças a um funcionário desatento, que deixou a porta do freezer aberta depois do expediente. Somando-se a isso, ela recebe a notícia de que um avaliador disfarçado virá até a lanchonete, para testar a sua qualidade e reportar ao escritório central.

Ao chegar, fica logo claro que suas suspeitas recaem em Becky – dos adolescentes inocentemente inconseqüentes que lá trabalham, é ela a que mais irrita Sandra. Uma leve inveja de sua vitalidade, talvez? Não sei, mas tudo fica pior para a garota quando uma suposta cliente a acusa de roubo, e Sandra é notificada via telefone.



É óbvio para o espectador que aquilo não passa de um trote: nenhuma polícia no mundo trabalharia de forma tão estranha. Mas graças a tensão, isso não fica claro para os empregados do restaurante, que desaprovam os métodos de trabalho do “policial Daniels”, mas não duvidam que ele seja, de fato, um agente da lei.

Isso faz com que as coisas vão de mal a pior para Becky: acusada de um crime que não poderia, possivelmente, ter cometido, ela é submetida a desconfiança e julgamento dos colegas.

É estranho haver um sentido positivo para nauseante, mas eu me vejo obrigada a aplicá-lo aqui. É isso que Compliance é, em uma cadeia muito bem feita de atos que exibem pedaços escondidos e terríveis de nossa espécie, com uma dose cavalar de medo.



Porque é esse o sentimento que dita a tônica do filme: medo. O mais perigoso dos sentimentos – útil para homens das cavernas e qualquer um em situação extrema, condenável para avanços e convivência social. Li algumas críticas que alegam uma inocência artificial por parte dos personagens, que não perceberam logo de cara a brincadeira de mau gosto feita pelo homem do outro lado da linha. Eu poderia concordar, se o algoz de Compliance não salientasse o tempo inteiro sua suposta autoridade, impondo-se habilidosamente a todos ali. Todos sabiam que aquela investigação era errada e estranha, não era necessário ser um gênio ou viciado em programas criminais da  TV para tal – mas com uma muito humana covardia, as palavras são engolidas e os olhos são fechados.


Costumava me irritar com a fragilidade humana, com a facilidade com que um animal que constrói computadores e descobre curas destrata os seus semelhantes. Usar o verbo no passado é uma mentira, mas somente parcial – como condenar um crime do qual eu poderia me ver, inesperadamente, culpada?


9 comentários:

  1. Agora fiquei curiosa pra saber o final do filme.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Haa, não é exatamente inesperado, mas é muito bom!

      Excluir
  2. uau, parece muito bom esse filme, fiquei com dó da moça rs
    bjos

    ResponderExcluir
  3. Oi Isabel, tudo bem?
    Esse livro parece ser muito bom, mesmo que pela sua resenha u já me sinta um tanto irritada com a atitude de alguns personagens. Vou assistir assim que possível.
    Abraços,
    Amanda Almeida

    ps: Flor, ainda vai ter o Book tour de O segredo de landara?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Amanda, vai ter o booktour sim! Você não recebeu meu email pedindo o endereço? Se sim, não recebi tua resposta...

      Excluir
    2. Amanda e Isabel, vcs estão falando do livro "Never Sky", de Veronica Rossi e não do filme do post Compliance, né ??????????

      Bom blog e adorei o post e o filme.

      Excluir
  4. Fiquei curiosa para saber o que acontece. :)
    Realmente, o ser humano é um bicho estranho...será que um dia vamos entender o "por que" do seres humanos serem assim?

    beeijo
    http://criandorabiscos.blogspot.com

    ResponderExcluir
  5. Olá,
    Nunca tinha visto falar desse filme D:
    Fiquei curiosa para assistir, espero encontrar por ai.

    Beijos
    Pepper Lipstick

    ResponderExcluir
  6. Fiquei curiosa pra assistir, gosto de filmes assim, fazem bem o meu tipo.

    Beijos,
    biblioteca-de-resenhas.blogspot.com.br

    ResponderExcluir