13 julho 2013

Sábado + livro = < 3: Bruxos e bruxas

Adoro estratégias de marketing bem feitas, e a da Editora Novo Conceito para o livro de James Patterson e Gabrielle Charbonnet Bruxos e bruxas foi especialmente feliz – e, confesso, me deixou com um medinho por um tempo.

Não costumo receber coisas que não sejam livros ou encomendas pelo correio, então estranhei um pouco ao ver um envelope fininho – será do intercâmbio? Não, a organização é do Rio de Janeiro, não de São Paulo, de onde é o selo. Abro, e qual não é minha surpresa quando me deparo com um falso panfleto de “Procurados”: algo chamado a Nova Ordem está atrás de dois adolescentes, irmãos, um menino e uma menina ditos ser muito perigosos. Uma pesquisa rápida na internet me revela um governo aparentemente ditatorial que, além de querer prender menores de idade sem especificar os seus crimes, diz que seu jornal e suas páginas na internet são as únicas fontes reais de informação.

“Vem aí uma distopia ótima, há!”

Logo nas primeiras páginas de Bruxos e bruxas vi que me enganei. Redondamente.

Minhas experiências anteriores com a estranha mistura de distopia e o sobrenatural (entendido aqui como qualquer fenômeno que não podemos explicar) foram bem interessantes – as resenhas de Estilhaça-me e Rio 2054 não me deixam mentir. Porém, nesse gênero, tudo passa por uma boa construção de mundo, que foi uma das coisas que tornou a primeira metade de Bruxos e bruxas quase insuportável – se você tem a mania de abandonar o barco de vez em quando, digo, o livro, dificilmente chegaria a parte onde as coisas ficam levemente melhores de tantas incoerências que existem no caminho.

Bom, vamos por partes: Whit e Wisty Allgood são dois adolescentes americanos aparentemente normais, com respectivamente dezessete e catorze anos. Whit é popular e joga no time de futebol americano. Já Wisty não pode dizer o mesmo e na maior parte do tempo esconde seu rosto sardento com seus cabelos ruivos.

Mas isso são informações que obtemos depois: logo nas primeiras páginas, os irmãos são presos no meio da noite, pelos “capangas” do novo e estranho governo chamado Nova Ordem. O mais estranho disso tudo não é que o líder da Nova Ordem – O Único Que É O Único – tenha aparecido do nada em pessoa para a prisão dos dois, ou a prisão em si. O mais estranho é que seus pais, pessoas comuns e racionais, pareceram não estranhar nada quanto a acusação sofrida pelos dois: a de bruxaria.

O pior é que os próprios irmãos Allgood tinham tido pistas e pequenos treinamentos a vida inteira, sem perceber nada até a hora da prisão. Além disso, os métodos e estilo do governo da Nova Ordem superam o surreal, e nenhum dos dois havia notado as mudanças em sua sociedade. Nada além de que o governo havia mudado e o novo líder parecia excêntrico, e alguns articulistas de jornais e seus pais não gostavam muito deles – o que sempre acontece, não é?

Já peguei uma certa birra com o livro a partir daí: que tipo de ser humano não percebe a instalação de uma ditadura de loucos em seu próprio país? Na prisão (onde esperam até os dezoito para serem executados – o que está perigosamente perto para Whit) os dois descobrem mais sobre seus poderes e sofrem um pouquinho, o que torna a história mais verossímil, mas não muito. Nas últimas cinqüenta páginas, quando novos personagens e situações são introduzidas, a coisa começa a ficar boa, mas aí o livro acaba.

É.

Um pouco estranho para mim que um livro escrito por quatro mãos extremamente experientes tenha tantos erros tão primários. Sim, sei que é um livro infanto-juvenil, mas Lemony Snicket e JK Rowling também escreveram livros infanto-juvenis – o que não os fez deixar essa quantidade imensa de pontas mal-feitas (porque as soltas poderiam ser amarradas) em Desventuras em série e Harry Potter, respectivamente.

Embora o tradutor esteja de parabéns com a adaptação de muitas expressões ao vocabulário adolescente brasileiro, a linguagem também me irritou: Wisty e Whit tem basicamente a  mesma voz, e eu sempre (sempre mesmo) confundia os dois. A bem americana mania de fazer piadinhas em situações de vida ou morte também se faz presente (o que seria de nós sem ela?) e eu realmente queria que os autores soubessem o quão irreal isso é.


Bruxos e bruxos é como uma pintura surrealista ruim, onde se entende pouco e basicamente não existem objetivos. A fama de James Patterson não se provou nesta obra em especial, mas vamos ver o que esse mestre dos thrillers nos trará no futuro...

7 comentários:

  1. Esse marketing da NC foi ótimo, mas como você, eu também fiquei com receio de ler o livro, devido a isso.
    É uma pena que não tenha de agradado tanto o livro. Não sei o que esperar do livro. Muito gente falando mal e tals ... ai jesus!Só lendo mesmo para saber né?!

    David - Leitor Compulsivo

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  2. Toda vez que eu passo por esse livro me coço toda de vontade de comprar *-*
    Acho que tá na hora jaah !
    HAUHAUUA
    Bjoos
    http://chacombolacha.blogspot.com.br/

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  3. Todo mundo falou super bem do marketing desse livro, até eu fiquei curiosa com aqueles posters da nova ordem e etc. Pela capa, fico morrendo de vontade de ler, mas a sinopse não me interessou tanto. Não sei porque. Enfim, depois de ler sua resenha perdi ainda mais a vontade de ler o livro. Sei lá, quem sabe eu mude de ideia depois, mas por enquanto não quero ler.

    Um beijo, Karine Braschi.
    Geek de Batom. (@geekdebatom)

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    1. O marketing foi lindo, só faltava a obra ser melhor...

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  4. Oie Isabel =)

    Eu comecei a ler esse livro, mas dei uma parada por que simplesmente não estava progredindo.

    Achei que o markentig exagerado em cima do livro fez com que todo mundo cria-se muitas expectativas e essas não estão sem cumpridas, ao menos no meu caso.

    Uma hora eu termino de ler o livro, mas infelizmente já me decepcionei.

    Beijos e um ótima semana;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


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  5. Oi Isabel! Achei o livro bem fraco, muitas situações jogadas no leitor sem explicação, personagens superficiais e sem falar no humor fora de hora. A propaganda enorme criou muitas expectativas e infelizmente não foram alcançadas.

    Bjos!!

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  6. Caraca, esse é mais um daqueles livros que não devemos julgar pela capa (porque achei-a linda). Uma pena a história ser fraca ): quando vi sobre o livro, achei que seria muito bom. Ah, preciso dizer que adorei o novo layout!

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