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22 dezembro 2014

Uma noite de crime: anarquia (filme)



Uma noite de crime não surpreendeu muito: apesar da excelente atuação de Lina Hadley (a Cersei de Game of Thrones) o filme não passou muito do clichê de cenas de ação sagrentas, sem mostrar as reflexões que a sua versão distópica dos Estados Unidos oferece. A sua sequência, Uma noite de crime: anarquia, porém, conseguiu preencher bem algumas destas colunas.


Não temam por spoilers – embora parte de uma mesma franquia, os dois filmes só têm em comum o mundo em que se passam. Os chamados “novos pais fundadores” deram aos americanos um direito curioso e assustador: o de cometer qualquer crime, assasinato incluso, em um período anual de doze horas, celebrado como um feriado nacional. Os ricos – como a família protagonista do primeiro filme – trancam-se em suas casas com sistemas de segurança moderna, caso não tenham escolhido “Expurgar”. Palavra curiosa, refere-se a “limpeza” que seria feita nas almas de todos os participantes da noite, o Expurgo, justificativa para todo este absurdo: purificados de toda a violência sem o risco de punição, os americanos não teriam razão para cometé-la em outro dia do ano, diminuindo assim as alarmantes taxas de crimes. Expurgar, portanto, não se torna só uma prática aceita, mas também louvada, uma prova de status e força.

25 julho 2013

Filminho de quinta: A ilha + sorteio do livro Bruxos e Bruxas!



O isolamento é uma arma preciosa para governos ou organizações ditatoriais ao controlar os seus subjugados – não é por nada que a internet foi temporariamente cortada no Egito durante a sua primeira revolução, por exemplo.

Por isso é instantaneamente curioso para o espectador de A ilha que os personagens em um cenário aparentemente distópico queiram ir para o local que é o maior símbolo de isolamento – uma ilha. Lincoln Six Echo e Jordan Two Delta vivem em um lugar no subsolo que dizem ser um dos últimos refúgios da humanidade depois de uma terrível contaminação. Suas tarefas e aspirações são reduzidas ao mais simples possível: se manter saudável e esperar ansiosamente para ir para a tal Ilha, um local paradisíaco onde alguns sortudos sorteados vão para repopular a terra.

29 junho 2012

Equilibrium





Depois de uma terceira guerra mundial, há um consenso de que o mundo não suportaria uma quarta – para tal, na cidade-estado de Libria (uma selva distópica feita de concreto) é criado o Clero Tetragrammaton, responsável pela eliminação do que torna os seres humanos destrutivos: os sentimentos.

Mas é claro que a simples imposição social não funcionaria por si só, então algumas medidas são tomadas, sendo a principal delas o uso do Prozium – uma espécie de droga que suprime qualquer emoção humana. A arte também é considerada uma inimiga (afinal, não há maior gatilho em direção aos sentimentos) e destruída pelo Clero, com cenas de sensibilidade ímpar envolvendo o pouco de beleza restante no universo de Equilibrium: pinturas famosas queimam e gritam; poemas são recitados por personagens à beira da morte e uma crise de choro é deflagrada por alguns simples segundos de uma sinfonia de Beethoven.

John Preston é um alto sacerdote do Tetragrammaton, aluno disciplinado e servidor leal ao Pai – o governante de Libria, que possui uma enorme semelhança com o Grande Irmão de 1984. Um dia, Preston acidentalmente deixa sua dose de Prozium cair, fazendo com que tudo se modifique: uma manhã sem a droga já é o suficiente para que ele perceba que por mais alto que seja o preço a pagar pelos sentimentos, vale a pena – “sem amor, sem raiva, sem tristeza, a respiração é como um tictac de um relógio”.

A “descoberta” das emoções por parte de Preston se dá de uma forma tão violenta, tão repentina que é quase como uma dor, que é passada ao espectador nos mínimos detalhes. O mundo era a ele limitado mesmo nas menores sensações do dia-a-dia, e agora ele as tem. Como conseqüência da recuperação de seu coração metafórico, vem um enorme desejo por individualidade e uma curiosidade não comum aos librianos – afinal, formigas não podem se desviar do trabalho porque gostariam de saber de que cor são as flores.

Só há um problema que faz Equilibrium não merecer nota máxima: as cenas de ação. Embora elas não atrapalhem muito o desenvolvimento ou funcionem como um deus ex machina, algumas delas soaram bastante exageradas (ou até mesmo ridículas) para mim. É uma pena: como mostraram Matrix, Jogos Vorazes e muitos outros, é sim possível reunir reflexão e pancadaria.

Nota: 4/5