Uma noite de crime
não surpreendeu muito: apesar da excelente atuação de Lina Hadley
(a Cersei de Game of Thrones) o filme não passou muito do clichê de
cenas de ação sagrentas, sem mostrar as reflexões que a sua versão
distópica dos Estados Unidos oferece. A sua sequência, Uma noite
de crime: anarquia, porém, conseguiu preencher bem algumas
destas colunas.
Não temam por spoilers
– embora parte de uma mesma franquia, os dois filmes só têm em
comum o mundo em que se passam. Os chamados “novos pais fundadores”
deram aos americanos um direito curioso e assustador: o de cometer
qualquer crime, assasinato incluso, em um período anual de doze
horas, celebrado como um feriado nacional. Os ricos – como a
família protagonista do primeiro filme – trancam-se em suas casas
com sistemas de segurança moderna, caso não tenham escolhido
“Expurgar”. Palavra curiosa, refere-se a “limpeza” que seria
feita nas almas de todos os participantes da noite, o Expurgo,
justificativa para todo este absurdo: purificados de toda a violência
sem o risco de punição, os americanos não teriam razão para
cometé-la em outro dia do ano, diminuindo assim as alarmantes taxas
de crimes. Expurgar, portanto, não se torna só uma prática aceita,
mas também louvada, uma prova de status e força.
