Em
teoria, conhecer o passado nos ajuda a tomar decisões mais acertadas
para o presente. Guerras poderiam ter sido evitadas se os governantes
olhassem para a história, e em nossas vidas passos mais acertados
poderiam ter sido dados se usassemos o ontem como referência. Não
vem funcionado muito bem, mas bom, é o que temos.
A
sociedade de O doador de memórias, porém, escolheu esquecer.
Mas não escolheu esquecer só os fatos históricos de guerras e
destruição, mas os personagens desconhecem também qualquer coisa
fora dos limites bem planejados e regras milimetricamente executadas
de suas comunidades. Adotou-se a chamada Mesmice, e junto com a fome,
a guerra e a violência, exterminou-se também os sentimentos
profundos, o amor, as cores e a diferença. Esta última ainda
existe, é claro, mas de forma tão sutil e controlada que não traz
o problema e a beleza que o divergente geralmente carrega consigo.
