18 fevereiro 2015

A menina que semeava (livro)


No auge da fama de A culpa é das estrelas, muito se falou sobre a tal da sick-lit, literatura que, teoricamente, utilizaria personagens com doenças terminais sem muito pudor. Fora algumas tentativas de leituras de romances melosos, tive a sorte de cair em um círculo de “sick-lits” boas, que ao contrário do esperado, não definem os seus personagens doentes por sua doença. A menina que semeava não quebrou esse círculo.

Chris tem uma relação complicada com sua filha Becky, de catorze anos – mas ao contrário do esperado, o problema não é a rebeldia da menina ou ausência do pai, e sim a comparação (injusta) com o passado. Apenas quatro anos antes, Chris ainda era casado com a mãe de Becky, todos eles moravam na mesma casa e pai e filha viajavam diariamente para Tamarisk.

16 fevereiro 2015

Tiny furniture (filme)


Para os não habituados, o estilo da atriz e criadora de Girls, Lena Dunham, pode ser um pouco chocante. Além de não corresponder nem de longe aos padrões estéticos televisivos, Lena não tem muito apreço pelas convenções sociais e adora um bom oversharing – ou seja, compartilhar com os outros detalhes da sua vida considerados desnecessários pela maioria. E é isso que a faz fantástica.
Gosto muito da série Girls: embora algumas situações (como, por exemplo, a suposta falta de dinheiro das personagens ser magicamente resolvida de um episódio para o outro) sejam ireais, esse tom extremamente pessoal de Lena me agrada. Tiny furniture, o filme indie que a lançou para o sucesso, não é muito diferente – embora me faça crer o oversharing é o único truque que Lena Dunham tem na manga.

15 fevereiro 2015

Domingo preguiçoso: David Bowie por Seu Jorge

Esse GIF. Ah, esse gif, amigos. Agora saiam da hipnose e vão ler o post.

Adoro David Bowie, e como qualquer fã que se preze, tendo a torcer o nariz para a maior parte dos covers e me manter longe de versões. Estas, porém, feitas por Seu Jorge (artista que não desgosto, mas também não ligo muito para esse) estão tão fantásticas que merecem um cantinho aqui no Domingo Preguiçoso. Seguem minhas favoritas:
[A minha queridinha de David  Bowie, Space Oddity, infelizmente não ficou tão boa :( ]




Ouça o álbum inteiro aqui.

13 fevereiro 2015

The night shift (série)


Sempre falta um pouquinho de realidade nas séries médicas.

Não falo muito em termos de diagnósticos e cura – disso dificilmente posso falar – mas sim em coisas práticas. Mesmo nos melhores hospitais do mundo, dificilmente um House teria um caso só por vez. E o que falar das instalações de luxo de Red band society – hospital no qual nunca se ouviu a frase “você tem seguro de saúde?”.

Em The Night Shift, porém, os médicos esbarram com esse probleminha chamado realidade mais ou menos o tempo todo. Localizado em San Antonio, no Texas, o hospital no qual a série se passa é a única unidade de trauma na região, passa por uma situação financeira difícil e tem no exército o seu principal fornecedor de médicos. Para complicar a situação mais um pouquinho, não seguimos um turno normal, e sim o da noite, com acidentes mais complicados e expectativas mais altas.

11 fevereiro 2015

O senhor das moscas (livro)


Crianças são criaturas curiosas. Eu particularmente desprezo a lógica sob a qual elas são anjinhos de luz, inocentes e sem as corrupções do mundo adulto – os pequenos podem ser cruéis e vis a sua própria maneira – mas é fascinante as personalidades únicas que, sem as barreiras sociais impostas, os pequenos desenvolvem.

O senhor das moscas talvez seja uma história sobre personalidades infantis, diferentes e conflitantes, convivendo em uma situação limite. Cada um de nossos protagonistas tem um defeito mortal e uma qualidade que se sobressai: há Porquinho, inteligente, mas que se curva facilmente aos outros; Jack, um excelente líder, mas com sede de poder demais e Ralph, que sofre do mesmo defeito e tem como qualidade sua racionalidade.

09 fevereiro 2015

Vida de adulto (filme)


Neil Gaiman disse: “se você esperar inspiração para escrever, poderá até ser um poeta decente, mas nunca será um romancista”.

E isso me parece ter um fundo bem grande de verdade. Ao passo que romances são feitos de sangue, suor e lágrimas do autor, a poesia tem de ser inspirada e sair de dentro. Suponho que Drummond não cumprisse prazos de editores – e nem deveria: submeter sua criatividade poética ao tempo tiraria um pouquinho de sua grandeza.