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07 maio 2015
15 janeiro 2015
22 junho 2012
Clockwork prince
Minhas opiniões sobre clichês se contradizem. Sim, a
sensação “já vi isso – mais ou menos um milhão de vezes” é péssima, mas clichês
não seriam tão largamente usados se não fossem pelo menos um pouquinho bons.
Se as pessoas não gostassem deles.
Não tem aquela coisa meio Bella/Edward/Jacob, de um
triângulo amoroso que não pode se concretizar graças a insegurança da mocinha
(que é, obviamente, seu único defeito de fato) e falhas imperdoáveis (no caso,
respectivamente, vampirismo e licantropia) dos heróis? Pois é: Cassandra Clare,
adorada por nove entre dez leitores de YA fantástica, abriu mão desse artifício
no segundo livro da sua série As peças
infernais (prequel para a mais famosa Os
instrumentos mortais), Clockwork
Prince.
Em ambas as séries, um submundo sobrenatural existe – e
Tessa Gray é parte dele. A garota, contudo, é bastante incomum: ela desconhecia
seu poder – o de mudar de forma – antes de se mudar para a Inglaterra e ser “treinada”
por uma dupla de feiticeiras que a seqüestrou.
Depois de ser salva de suas sequestradoras, Tessa é acolhida pelos Caçadores das
Sombras – uma espécie de polícia desse submundo – do Instituto de Londres. Seu novo lar, contudo, vê-se ameçado.
Desde que assumiu a diretoria do Instituto de Londres,
Charlotte encontra resistência por parte dos outros Caçadores das Sombras – não
por incompetência, mas por ser mulher – imaginem só: se somos raras em cargos
de liderança em 2012, no século XIX, então, o estranhamento era maior ainda.
Pois bem: por ter deixado que o Magister – mundano rico
conhecedor das artes mágicas e possuidor de um exército de autômatos (daí o
nome da série), que pretende seqüestrar Tessa a fim de usar seu poder –
escapasse, Charlotte enfrenta ainda mais oposição. Para que o Instituto não
passe para as mãos do detestável Benedict Lightwood, uma missão impossível deve
ser cumprida: encontrar o Magister em duas semanas.
O defeito que apontei no primeiro livro, Anjo Mecânico, sumiu – não porque
Cassandra Clare matou o personagem Will ou mudou seu comportamento detestável,
mas uma justificativa boa o suficiente veio a tona para os leitores. Isto,
contudo, deu um tom levemente melodramático ao livro: o típico “ai meu deus,
sintam pena de mim” se fez presente. O desconhecimento dessa justificativa por
parte de Tessa a faz continuar entre a cruz e a espada: ficar com Will, que
alterna momentos de comportamento irascível e ternura contida ou com Jem, que
está morrendo – ironicamente, graças a droga que o mantém vivo?
A questão do poder feminino é explorada mais a fundo, não só
com Charlotte e sua direção no Instituto, mas também com Tessa vencendo pouco a
pouco seu horror a coisas não “femininas” – afinal, como andar com Caçadores
das Sombras e não aprender a lutar? Embora o livro não se foque tanto em
descrever a Inglaterra Vitoriana como Anjo
Mecânico, ainda há algumas pitadas aqui e ali, dando toques especiais as
passagens onde esta descrição se faz presente. Os diálogos parecem ser o ponto
forte de Cassandra Clare: os músculos do meu rosto se organizavam em um sorriso
involuntariamente (juro, eu tentei) toda vez que Will e Tessa conversavam –
ambos são loucos por livros, e suas referências e debates sobre os mesmos são
fascinantes.
Mesmo me decepcionando um pouco com Clockwork Prince e todo seu açúcar, o mundo que a autora criou é
fascinante demais para me fazer não querer esperar até março de 2013 pela
continuação. Alguém aí tem uma maquina do tempo sobrando?
Nota: 3/5
04 maio 2012
Os homens que não amavam as mulheres (Suécia)
Faz pouco tempo que comecei a realmente assistir filmes: só
há cerca de um ano, graças ao falecido MegaUpload, meu interesse pela sétima
arte tomou forma. Antes, eu era só sessão da tarde e esporádicos blockbusters
no cinema; depois, uma verdadeira miscelânea de diferentes filmes começou a
encher a memória do meu computador e tomar espaço no meu coração.
No início, eu não conseguia suportar filmes europeus:
comecei por “clássicos” e, mesmo sabendo que aquilo provavelmente traria algo
de bom ou inovador depois que eu me pusesse a refletir a respeito, não
conseguia deixar de achá-los insuportavelmente lentos.
Com o tempo me acostumei, gostei e consegui até mesmo
apontar um culpado para a minha impaciência com a produção cinematográfica do
velho mundo: os filmes hollywoodianos. Todos eles são frenéticos, com uma seqüência
de acontecimentos planejada de forma tão engenhosa para que o espectador de
maneira alguma tenha tempo para tédio. Comparando as versões americana
(resenhei aqui) e sueca de Os homens que
não amavam as mulheres, isso se torna mais claro ainda.
Mikael Blomkvist está enfrentando alguns dos piores dias da
sua vida: seguindo uma pista falsa de um ex-colega, o jornalista de economia
denuncia o investidor Wennestrom. Por não conseguir apresentar provas perante o
juiz, é condenado por difamação – o que consome todas as suas economias e lhe
rende alguns meses de prisão.
Afastado da revista do qual é sócio, a Millennium, Mikael
aceita uma oferta bastante inusitada do industrial Henrik Vanger: investigar a
morte de sua sobrinha Harriet, cujo corpo nunca foi encontrado. Ao se associar
com a jovem hacker Lisbeth Salander – que tem problemas de socialização tão
graves ao ponto de precisar de tutela do estado – Mikael descobre fatos e
mortes que vão muito além do mistério da complicada família Vanger.
Como disse no início, Os homens que não amavam as mulheres é
lento. Embora o livro de Stieg Larsson tenha de fato um potencial para o
suspense, isto não se dá sem certo esforço e adaptações no enredo – coisa que os
roteiristas suecos não quiseram fazer. Se para um lado pode ser péssimo para
aqueles não acostumados a este estilo, por outro, é bem mais fiel ao livro: os
elementos principais – sobretudo a gloriosa defesa das mulheres – são preservados.
Impliquei com Daniel Craig como Mikael na versão americana,
mas dessa vez não tenho sobre o que reclamar no campo de elenco: Michael
Nyqvist encarna o jornalista de forma perfeita, sendo somente heróico o
suficiente para salvar sua própria pele – não ofuscando assim a verdadeira
estrela, Lisbeth. Noomi Rapace, que a interpreta, supera a já maravilhosa
Rooney Mara: os aspectos anti-sociais da hacker me pareceram mais reais por sua
interpretação.
Aliás, real é uma palavra muito boa para descrever Os homens
que não amavam as mulheres. Como é de se esperar numa série que tenha misogenia
como seu foco principal, cenas e relatos fortes são inevitáveis. Por si só, ver
mulheres agredidas é desagradável, mas o diretor conseguiu torná-las mais
ainda. Sei que é de função do cinema reproduzir a realidade. Não quero que tudo
seja feito em Barbie, a princesa da ilha – mas tem certas coisas das quais eu
prefiro ser poupada.
Nota: 4/5
29 abril 2012
Os Vingadores
Não sou lá muito fã de Big Brother. Assisti quase toda a
temporada em que Jean Wyllis foi o campeão, e, em momentos de tédio e falta de
TV a cabo na praia, pesco dois ou três episódios – não com prazer
ou desgosto, mas simplesmente com indiferença.
Essa defesa do BBB acaba funcionando bastante ao meu favor –
não pelo reality show da Globo em si, mas sim por outras duzentas coisas que
adoro mas que, de fato, não acrescentam em nada no meu “repertório” ou me fazem
refletir. Apesar de inconscientemente endossá-la às vezes, odeio essa
perspectiva de que tudo na vida tem que ter uma utilidade prática – até mesmo
as coisas feitas nos seus momentos de diversão e relaxamento.
Diante da ameaça, Nick, diretor da SHIELD, reinicia a iniciativa
Vingadores – um time de super heróis usado para defender os Estados Unidos a
Terra. Os Vingadores não são exatamente tão heróicos assim: o seu líder, o
Capitão América, acaba de acordar de um “sono” de 50 anos e não está habituado
ao mundo moderno; o playboy Tony Stark, o Homem de Ferro, tem problemas com
modéstia e trabalhar em equipe; o Dr. Bruce, que ao menor sinal de raiva, pode se
transformar em Hulk, matando a todos; a assassina profissional da SHIELD
Natasha (ou Viúva Negra) vive entre crises de consciência por seu trabalho e Thor,
por ser irmão de Loki, não tem certeza se deve ou não se juntar aos Vingadores.
De resto, o filme faz magnificamente bem o que se propõe. As
cenas de ação são impecáveis, e ocorrem com uma freqüência que torna impossível
o tédio. O que alguns milhões de dólares não podem fazer?
Mas mesmo estando longe de ser uma fã do programa, me irrito
profundamente com as campanhas anti-BBB que são feitas online antes e durante a
sua exibição – além dos incontáveis “graças a deus” e “ufa!” quando o programa
acaba. Alegam que o Big Brother não traz cultura ou conhecimento para seus
espectadores. Mas quem na terra assiste BBB para ficar mais “culto”? Qual seria
o problema de entretenimento só por entretenimento?
Essa defesa do BBB acaba funcionando bastante ao meu favor –
não pelo reality show da Globo em si, mas sim por outras duzentas coisas que
adoro mas que, de fato, não acrescentam em nada no meu “repertório” ou me fazem
refletir. Apesar de inconscientemente endossá-la às vezes, odeio essa
perspectiva de que tudo na vida tem que ter uma utilidade prática – até mesmo
as coisas feitas nos seus momentos de diversão e relaxamento.
Nesta lista de “entretenimento por entretenimento” estão os
filmes do multiverso Marvel. Comecei a assisti-los por pura falta de opção – na
cidade onde moro, só há um cinema, que tem o dom de quase nunca passar filmes
que não sejam de criança/de ação/de comédia – e depois, por ter de fato tomado
gosto pelas cenas de ação bem-feitas e produção impecável. Alguns deles têm
também o poder de surpreender: adorei as referências históricas nos recentes
Capitão América e X-Men: Primeira Classe – este último tão legal que é um dos
poucos filmes que me fizeram pagar um indecentemente caro ingresso de cinema
mais de uma vez.
Os Vingadores está sendo bastante elogiado no Tumblr, e,
apesar de preferir os supracitados, compartilho em parte da empolgação. O
enredo em si é bastante trivial para o universo das HQs: o semi-deus rejeitado
Loki planeja a dominação da terra. Para isto, ele necessita do Tesseract, uma
fonte inesgotável de energia encontrada pelas Indústrias Stark e estudada pela
agência de espionagem SHIELD, com as pesquisas comandadas pelo Dr. Erik Selvig.
Depois de capturar o Tesseract, Loki hipnotiza (afinal, ele
é um semi-deus bem fraquinho, mas ainda é um semi-deus) o Dr.Selvig e o agente
Clint, para que ambos o ajudem no seu propósito de abrir uma fenda no espaço
com o mesmo. Fenda esta por onde passariam soldados alienígenas Chitauri que,
em troca do Tesseract, fariam com que os terráqueos se prostrassem aos pés de
Loki.
Diante da ameaça, Nick, diretor da SHIELD, reinicia a iniciativa
Vingadores – um time de super heróis usado para defender
Talvez o principal problema do filme – que não o tornou tão
bom quanto outros da Marvel que assisti – sejam os personagens. Fora Tony Stark
– que brilha por sua imodéstia charmosa e ironia sem limites – todos os outros são muito pouco explorados no tocante as suas personalidades. Desde
o início do filme, os seus problemas pessoais e a falta de química entre os Vingadores são
bastante enfatizados, e é uma pena tal desperdício.
De resto, o filme faz magnificamente bem o que se propõe. As
cenas de ação são impecáveis, e ocorrem com uma freqüência que torna impossível
o tédio. O que alguns milhões de dólares não podem fazer?
Embora de fato não sucite muitas reflexões a primeira vista, Os Vingadores (e outros filmes do gênero) não é exatamente vazio. A defesa as posições americanas
perante o resto do mundo é bastante sutil – bem mais sutis
do que o ultra-patriotismo em Capitão América, por exemplo – mas estão lá.
Através de uma metáfora – onde os inimigos não são seres humanos de países ou etnias
diferentes, e sim alienígenas feinhos e poderosos – o indefensável é defendido
e justificado. Não sei o quanto essa "mini lavagem cerebral subconsciente" ajudou na construção do império que os EUA são hoje, mas chuto que bastante. O que seria da Terra do Tio Sam sem sua indústria de
entretenimento?
Nota: 4/5
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23 abril 2012
Anjo mecânico (série As Peças Infernais)
Depois da morte de sua tia (sua única parente viva nos
Estados Unidos) a orfã de dezesseis anos Tessa parte para a Inglaterra de 1878
com a esperança de uma nova e melhor vida ao lado de seu amoroso e
irresponsável irmão. A recepção que recebe, porém, não é como a esperada: ao
invés de ter Nate a esperando no sujíssimo porto britânico, Tessa é recebida
pelas Irmãs Sombrias – duas feiticeiras incumbidas de treiná-la para utilizar seu
poder (cuja existência Tessa ignorava) a preparando para se casar com alguém
desconhecido e bastante poderoso chamado apenas de Magister.
Ao ser resgatada por Will e James, dois Caçadores das
Sombras (grupo de pessoas responsável por manter a Lei, evitando choques entre
os Habitantes do Submundo e os humanos) Tessa vê que nada é como ela imaginava:
todo um mundo sobrenatural se abre a sua frente. Ela não está sozinha ou é uma
aberração, mas seu poder é único o suficiente para ser almejado por muitos.
Acolhida pela boa Charlotte, diretora do Instituto de Londres (uma espécie de
quartel general dos Caçadores das Sombras) ela começa a perceber que nunca reaverá
sua vidinha antiga de volta.
Anjo Mecânico é o primeiro livro da série As Peças Infernais,
pré-sequencia para a mundialmente famosa
Os Instrumentos Mortais. Confesso que ao começar a ler o primeiro livro desta
última série, Cidade dos Ossos, quase desmaiava de sono – por isso, Anjo
Mecânico foi uma surpresa muito boa.
A narrativa é frenética – cortes em pontos essenciais,
passando de um foco de personagens a outro, fazem com que a leitura flua melhor
e largar o livro seja uma tarefa ingrata. As referências a poemas e livros
famosos na época não torna a leitura um hipertexto desagradável (como sempre
temo ao ver muitas notas de rodapé) e sim enriquecedor.
Não entendo a fascinação que muitos parecem ter pela
Inglaterra – na verdade, acho a Terra da Rainha bastante sem graça (salvo o
sotaque) se comparada a outros lugares no mesmo continente – mas as descrições
de Cassandra Clare da Londres vitoriana são fantasticamente elaboradas, dando
um toque bastante especial ao livro. Os costumes também são abordados: Tessa
fica bastante chocada com o comportamento de Charlotte – ela usa calças, luta e
fala de igual para igual com seu marido Henry.
Faz bastante parte da evolução da protagonista, aliás: no
início, Tessa é cheia de não-me-toques, dando demasiada importância ao que era
(ou não) esperado de uma dama naquela época. Com o tempo, ela vê que tal
comportamento não é adequado a sua nova vida, não servindo ao seu propósito de
achar seu irmão.
De forma geral, os personagens são agradáveis, exceto por
Will. Sei que arrogância e humor ácido em um par romântico para a mocinha em
potencial podem ser transformados em um grande charme – mas Casssandra Clare
passou da conta com Will. Usando como justificativa o seu passado desagradável,
ele se torna irascível em alguns pontos. A insinuação de um complicadissimo
triângulo amoroso entre ele, Tessa e James (que considera Will como seu irmão e
é bem mais agradável que o mesmo) também não me agrada muito – talvez seja
trauma de Crepúsculo e seus teams. Não gosto de gritinhos de fãs ao assistir
adaptações para o cinema – mesmo que, em alguns casos, eu mesma tenha que me
controlar para não da-los.
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