05 fevereiro 2012

4 melhores séries que assisti nas férias

Vim tirar a poeira do blog – a demora é devida em parte ao fato que eu estou to meio que vegetando em homenagem aos últimos dias de férias (é bom acumular sono para a época de aula) e em parte porque a Polícia Militar de várias partes da Bahia está greve, então estive um pouco tensa, acompanhando bastante as notícias. (Quem quiser saber mais – a mídia nacional não falou nem 10%, só para variar – dei uma pequena contribuição para este texto aqui).
Bom, na falta de novidade – minhas leituras foram meio que suspensas (embora eu tenha me dedicado à Emma, de Jane Austen, durante todo o dia de hoje) e eu queria ver filmes que fossem lançamentos (nada não infantil passando) –  aqui está um post que venho planejando há algum tempo:  as quatro melhores séries que vi nas férias (que,  por sinal, snif, snif, acabam amanhã). O post ficou grande, mas, prometo, as séries são muito legais. Vamos às sugestões:
4 – Boardwalk Empire
Adoro histórias de Gangsters, a lei seca americana e tudo que cerca este mundo desde que ganhei uma biografia de Al Capone. É interessante ver como o crime conseguiu crescer baseado numa lei bem intencionada – a de proibir o álcool e, assim, aplacar males como alcoolismo. Isso também leva a um problema bastante humano: achar é que as pessoas irão deixar de fazer algo somente porque você é contra e apresenta alguns argumentos para tal. Não dá certo com o aborto, com as drogas, e também não deu certo para o álcool. E foi isso que ajudou Nucky Thompson, personagem principal do seriado, a fazer fortuna: a vontade das pessoas em geral em consumir bebidas alcoólicas, mesmo que estas fossem ilegais nos Estados Unidos dos anos 20.
O seriado é genial: bem produzido, bem estruturado e baseado em fatos reais – temos até mesmo flashes do jovem Al Capone, antes do mesmo se tornar chefão da máfia. O clima dos anos 20 é charmoso, e, para as feministas, é ótimo observar o (pouco) papel que as mulheres têm na trama.
3 – A gifted man
Michael Holt é um neurocirurgião brilhante: sua vida não é simplesmente dedicada ao trabalho – ela É o trabalho. Contudo, Michael começa a ver o fantasma de sua ex-mulher, Anna Paul, uma médica de família extremamente generosa. Logo Anna Paul – ou melhor, seu fantasma –  começa a lhe pedir favores, todos relacionados à clínica gratuita (nos EUA, não existem hospitais públicos propriamente ditos, mas algumas clínicas recebem doações e funcionam gratuitamente para pessoas sem plano) que ela dirigia. Logo, Michael se envolve com a clínica, e tem que conciliar seus pacientes de lá com os de classe média alta que usualmente atende.
Quando li o resumo, achei que não fosse gostar da série. Sou uma cética de plantão, não do tipo que escrutina a teoria da evolução ou qualquer outra coisa para provar que o resto do mundo está errado: simplesmente admito que não há explicação para tudo, e que eu não realmente preciso de explicação para tudo. A propaganda na TV não realmente ajudou para que eu simpatizasse com A gifted man: nela, Michael psicografa, o que é bastante atraente para quem gosta de filmes e livros espiritas, mas bem pouco para quem os acha melosos. Além disso, lições de moral em séries me irritam: pelos resumos, esta parecia ser contra o materialismo, o egoísmo, a solidão, o ceticismo e etc. Dificilmente alguém vai se sentir culpado com uma série. Alguns filmes, como um que resenhei aqui, chegam a este patamar, mas séries são longas, e chega um momento em que toda a coisa fica chata e repetitiva. 
Contudo, A gifted man não tenta nos dar lições de moral e Michael não psicografa: o seriado é bem leve e as aparições de Anna não sofrem justificação de uma religião ou outra. Além disso, é legal perceber o choque que ocorre quando Michael, acostumado há mais de dez anos com pacientes ricos e bons equipamentos vai trabalhar numa clínica de poucos recursos onde os pacientes carregam problemas além dos de saúde. A parte médica é um plus: os casos são interessantes (não tanto quanto os de House, mas são) e bastante focados na parte neurológica.
2 – Survivors
Remake de uma série dos anos 60, Survivors fala de um mundo onde 98% da população mundial pereceu de uma estranha gripe e os personagens retratados lutam pela sobrevivência.
Adoro séries pós apocalípticas, então Survivors  foi ótima para mim. A série conseguiu fazer com que eu me sentisse na pele a tarefa de aprender a viver sem tecnologia, comidas prontas e entes queridos. Eu havia assistido a primeira temporada há alguns anos, e prossegui para a segunda. Como toda boa série inglesa (aspecto que, na minha opinião, as tornam superiores às americanas, que acabam, as vezes, com um roteiro enrolão e uma produção não tão boa) são poucos episódios, que deixam aquele gostinho de quero mais.
1 – Terra Nova
Terra Nova é uma superprodução o que, para alguns, pode levar à uma antipatia imediata. Porém, não se engane pelos efeitos especiais – realmente há um enredo por trás de todos eles. Em 2149, a terra está em seus últimos suspiros. Os cientistas, porém, conseguiram achar uma fenda que pode transportar alguns colonos para 85 milhões de anos antes de Cristo.
Shannon foi recrutada para ser médica em Terra Nova, esse tal admirável mundo novo sem poluição. Só há um (literalmente) pequeno problema: ela e seu marido, Jim, desrespeitaram a política de controle populacional do governo e tiveram sua terceira filha, Zoe. Quando os agentes de controle populacional tentaram levar Zoe em custódia, Jim os agrediu, indo assim para a prisão.
Isto não foi um problema para a família Shannon, e todos os cinco conseguem chegar em Terra Nova sãos e salvos. Contudo, esse novo lar tem mais problemas do que se podia imaginar: um grupo dissidente, os sextos, sabota a colônia.
Olha, Terra Nova é viciante. Não gosto dos filmes e seriados que têm somente efeitos especiais – Transformers 3 que o diga – sem uma estória por trás, mas Terra Nova combina o melhor dos dois mundos. A família Shannon cansa às vezes, mas a rebeldia do filho dá uma quebrada naquela aura de perfeição e união familiar que, apesar de ser maravilhosa na vida real, enjoa na ficção.






01 fevereiro 2012

F11 - Trainspotting


Detesto ser ruim com títulos. Aqui, tenho a comodidade de colocar somente o nome do filme ou livro que resenhei, mas passo alguns perrengues com redações, textos e contos que escrevo.
Mas não é só por causa dos tais perrengues: é porque, como leitora compulsiva e cinéfila, sei do poder que um título bom tem. É como um imã: mesmo que o cartaz ou capa da obra esteja ridículo; mesmo que os atores do filme ou premissa do livro sejam ruins; mesmo com todos os poréns, um título bom de verdade me dá vontade de conferir aquilo – afinal, algo com um nome tão bom não pode ser tão ruim. Pulp Fiction, The statistical probability of love at first sight, Anna e o Beijo Francês, Desmundo e o nome original de The Edukators (traduzido direto do alemão: seus dias de fartura estão contados) são alguns dos muitos que posso citar, muitos dos títulos que me atraíram de forma irrevogável e me deixaram com um gostinho de quero mais.
Por isso que Trainspotting me seduziu. Segundo o guia da Época e a Wikipedia, o título do indicado para o Oscar de melhor roteiro original significa um hobby bastante peculiar: olhar trens passando por horas e horas, geralmente sob efeito de alguma droga.  Foi amor de título à primeira vista: eu simplesmente TINHA que ver esse tal filme. E bom, pelo menos dessa vez, a técnica de escolher filme pelo nome funcionou.

Ah, o tal do deixar para amanhã... “Essa é minha última dose, meu último cigarro, meu último chocolate. Vou ficar só uma horinha na internet, OK, duas, o trabalho pode esperar. Nunca mais bebo, nunca mais uso drogas, nunca mais. Só dessa vez, só essa, a última, prometo que vou parar!”
É essa protelação que cerca a vida de Mark Renton, protagonista de Trainspotting. Contudo, o vício dele não é algo socialmente aceito, que deixe poucos vestígios e seja fácil de se livrar: não, é a tão temida heroína, droga que até os mais porra-loucas e libertários preferiam deixar passar. Trainspotting tem um daqueles enredos que se foca nos personagens, em personagens extremamente ferrados, mas que não ligam para isso na maior parte do tempo. Tudo que acontece é graças a personalidade dos protagonistas, protagonistas que possuem defeitos imperdoáveis e qualidades por vezes invisíveis (ou, até mesmo no caso do amigo sociopata de Mark, aparentemente inexistentes). Por lógica básica (afinal, ninguém gosta de personagens pé no saco) tais filmes deveriam ser uma porcaria, mas não são: filmes assim soam palpáveis, soam humanos, algo que poderia acontecer com qualquer um de nós. Assim como na vida, os personagens erram, erram, erram, erram, e depois, só para desencargo de consciência, erram mais um pouquinho – e, às vezes, como Mark Renton, encontram a felicidade somente pela casualidade de um erro que se converte em um acerto egoísta.

No início o filme me deu a impressão de fazer apologia às drogas – Mark zoa com aqueles que escolheram “viver”, viver uma vida que na sua opinião é medíocre, com prazeres medíocres e preocupações (sobretudo as materiais) medíocres. Ele glorifica o prazer causado pela heroína, exaltando que é de uma grandeza que coisinhas pequenas tais quais razões para viver se tornam desnecessárias. Contudo, essa percepção de banalização de algo bastante sério muda quando o bebê de uma das viciadas morre – a cena da moça chorando que nem uma louca (e depois implorando a Renton que lhe prepare uma dose de heroína para aplacar a dor de ter matado a sua filha por negligência) não me saí da cabeça. As alucinações de Mark ao entrar em abstinência também são fortes: os fantasmas do passado e do presente o assombram, a culpa o assombra, a vontade de voltar ao vício que povou sua vida o assombra.
Filmes sobre drogas bem feitos geralmente deixam um gosto ruim na boca, uma coisa entalada na garganta, uma angústia de saber que alguém que você conhece pode estar passando por aquilo exatamente agora. Trainspotting não fez isso de maneira tão forte comigo como Requiem para um Sonho, mas não deixou de entrar na minha categoria de melhor tipo de propaganda anti-drogas já feito. Fala, ao mesmo tempo, os aspectos bom – a saber, o prazer que a droga causa – e os ruins – a fissura, a perda da dignidade (tendo que roubar, furtar ou se prostituir para conseguir o dinheiro para a tal droga), dos amigos e dos familiares. Algo assim – que trata o possível usuário (geralmente um jovem) como um ser pensante que consegue tomar suas próprias decisões, não um ser burro e alienado que deve ser orientado somente por comendos básicos - é bem melhor do que simplesmente nos dizer só diga não.
Nota: 5/5

31 janeiro 2012

Retrospectiva de Janeiro e Perspectivas para Fevereiro

Inspirada no pessoal do Desafio Literário e em algumas blogueiras YA, farei uma retrospectiva/perspectiva todo último dia do mês.
Retrospectiva de Janeiro
Foi um mês bom, literariamente falando. Não li tanto quanto eu deveria durante o tédio que assola os dias de férias, mas, ainda assim, cumpri a maior parte das minhas metas.
Número de livros lidos – Onze
Melhor livro – Essa é bem difícil... Li muitos livros bons este mês. Contudo, acho que o prêmio vai para Em Chamas, segundo livro da trilogia Jogos Vorazes e meu preferido da série.
Pior livro – Engraçado isso: o melhor e o pior indo para a mesma série. Contudo, eu tenho que dizer A Esperança, da série Jogos Vorazes. Não sei se é porque esperava grandes coisas pro final da série, mas é difícil contentar-me com um desenvolvimento podre e um final água com açúcar. Também não gostei muito da coletânea de contos Amores Infernais.
Surpresa do mês – Na verdade, foram dois: Anna e o beijo francês, de Stephanie Perkins – que provavelmente é o melhor, senão um dos, livros adolescentes que já li – e A breve segunda vida de Bree Tanner, de Stephanie Meyer, que me surpreendeu por ser da criadora dos vampiros nada assustadores de Crepúsculo.
Desafio literário – Os igualmente maravilhosos Como água para Chocolate e Escola dos Sabores. Muito obrigada aos organizadores do desafio pela maravilhosa escolha de tema, foi muito bom conhecer este gênero, deparando-me logo de cara com dois livros muito bons!
Clássico – Acho que Pergunte ao pó, de Jonh Fante, deve contar, mesmo sendo um clássico americano e moderno. O mesmo para Como água para chocolate.
Perspectivas para Fevereiro
Acabei estabelecendo o mesmo número de livros para Fevereiro. Mesmo com a escola, sinto que a maresia das férias me faz ler menos - a indisposição causada por ficar o dia todo desocupada é tanta que até fazer algo que nos dá prazer é difícil.
Desafio Literário – O tema é “nome próprio”, ou seja, livros que tenham em seu título o nome de seu personagem.
Emma, de Jane Austen – afinal, Jane Austen sempre é bom, né? Adoro os romances de costumes feitos pela escritora inglesa, que ao mesmo tempo falam de amor e das tradições cheias de escrúpulos dos ingleses no século dezenove.
Olga, de Fernando Morais – assisti ao filme-biografia, e estou doida para ler o livro :D
Baudolino, de Umberto Eco – este livro é bastante especial para mim, porque foi o que minha avó estava lendo antes do derrame que levou à sua morte. Antes eu acreditava que Umberto Eco era provavelmente um pouco complicado demais para mim, mas dei uma folheada no livro e creio que possa lê-lo sem maiores problemas.
Drácula, de Bram Stoker.
Outros – Comecei a ler ontem A naúsea, de Sartre, e provavelmente só terminarei mês que vem haha. Já que lerei Emma, de Jane Austen, pretendo ler também outros livros da autora, tais quais Razão e Sensibilidade e Mansfield Park. Também pretendo ler o clássico de Dostoievski, Crime e Castigo; o brasileiro Cidade de Deus ; o de não-ficção (aliás, nova meta minha: um livro de não-ficção por mês) As veias abertas da América Latina e A sociedade do Anel (o primeiro livro da série O senhor dos anéis).

30 janeiro 2012

L12 - A breve segunda vida de Bree Tanner


Eu poderia pagar de pseudo-cult e dizer que detestei Crepúsculo desde a primeira vez que li, mas isso seria faltar com a verdade. Já suspirei com a série de Stephanie Meyer durante algum tempo, usei uma camisa escrito “I <3 Twilight” para a estréia do primeiro filme e gritei JACOB DELÍCIA no segundo. Contudo, com o passar do tempo, comecei a ver Edward como um imbecil obsessivo; Bela como uma criatura sem sal ou opiniões e vida própria e Jacob como a única criatura com um pingo de juízo em todo esse bolo – e olha que, em termos de obsessão, ele por pouquinho não se emparelha com Edward.
Mas, há duas semanas, lá passo eu nas Lojas Americanas e vejo A breve segunda vida de Bree Tanner por cinco reais. Meus caros, com cinco reais, você no máximo faz um lanche e, de qualquer jeito, esse livro é bastante procurado no site de trocas LivraLivro – qualquer coisa, era só eu trocar por algo melhor.
A breve segunda vida de Bree Tanner é uma história de Eclipse: a fim de matar Bela (que é a mocinha da saga, namorada do vampiro perseguidor obsessivo Edward Cullen e melhor amiga do lobisomem Jacob – é, saquem só como a garota leva uma vida comum) Victoria (cujo companheiro foi morto pelos Cullen) cria Riley, e lhe dá uma missão: fazer um exército de vampiros. Sua última criação é Bree (que tem três meses de idade quando a história é contada), uma garota que fugiu de casa por causa dos abusos físicos do pai e se torna nossa narradora.
Um dos grandes problemas que vi com Stephanie Meyer é que os vampiros dela não me parecem saídos de um conto de terror, e sim de um conto de fadas. Pois bem, isso não se aplica aos recém criados de A breve segunda vida de Bree Tanner: eles são violentos, tanto com os humanos – muitos deles os torturam antes de tomar seu sangue – quanto entre si.
Bree é extremamente carismática e retrata muito bem a fúria dos recém-criados e seu possível par romântico, Diego, é bastante inteligente. Também é bastante interessante ver vampiros com um modo de vida “tradicional” na obra de Stephanie Meyer. Não chega a ser um livro estilo “oh, que livro genial e legal”, mas é bastante diferente da saga que lhe deu origem.
Nota: 3/5

F10: Os homens que não amavam as mulheres

Sou uma grande fã da trilogia Millenium. É bem complicado se ver um livro ou filme feminista, e ao contrário de algumas blogueiras americanas
, acredito que Millenium mereça tal rótulo. Gosto do jeito com que Stieg Larsson mostra a violência contra a mulher: onipresente (mesmo em sociedades em que a igualdade deveria estar perto de ser concretizada, feito a Suécia, de onde ele era e onde Millenium se passa) e terrível.
Infelizmente, ainda não assisti a versão sueca do filme - que, pelo que dizem, é bem mais fiel - mas fui na sexta conferir a versão americana. Como com Sherlock Holmes, meus sentimentos quanto a mesma foram contraditórios.
O jornalista Mikael Blomkvist está em apuros: depois de cair em uma armadilha, é condenado por difamação por denunciar sem grandes provas o milionário Wennestrom. Graças a isto, suas economias estão acabadas e sua carreira como editor de uma revista independente - a Millenium - está em ruínas. No meio desta confusão, o industrial Henrik Vanger lhe oferece um emprego que, além de melhorar sua situação financeira, pode lhe dar a cabeça de Wennestrom (que começou a carreira no grupo Vanger): descobrir quem foi o assassino de Harriet Vanger, sobrinha de Henrik. Conforme Mikael vai avançando na investigação, descobre mais e mais mistérios que cercam a morte de Harriet, e começa a precisar de ajuda. Por isso, associa-se a anti-social, habilidosa e feminista não auto-declarada Lisbeth Salander.
Só assisti duas adaptações realmente boas - As vinhas da Ira e Jane Eyre - mas sempre espero muito de adaptações de livros bons. Com Millenium, contudo, foi diferente: de antemão, eu já sabia que o filme dificilmente faria jus à obra original, pelo livro ser bem longo e possuir um ritmo lento que não combina com filmes cujo ator principal já viveu James Bond. Como já esperava este defeito, não foi a evolução rápida das coisas que me irritou, e sim outro aspecto que justifica este texto: os aspectos feministas do livro se perderam quase que completamente. O diretor omitiu as falhas de Mikael, e não fez Lisbeth Salander ou Erika Berger (uma das donas e editora-chefe da Millenium) serem tão fortes quanto Stieg Larsson as pinta.
Daniel Craig também não me agradou: não consegui vê-lo como o mesmo Mikael dos livros - na maior parte do tempo, faltou a coragem e a humildade deste personagem, e lhe sobrou o aspecto heróico que, em geral, é conferido a sua parceira. Já Rooney Mara me convenceu como Lisbeth Salander: ela realmente me pareceu a mesma moça anti-social e brilhante dos livros.
Outra coisa que detestei foi a mudança no final: mesmo leve, fiquei com aquela coceirinha de fã por causa disso. A inserção de aspectos do segundo livro no filme também não fica atrás: fiquei me perguntando como o roteirista fará para inserir determinadas cenas caso haja uma continuação do filme.
Apesar de tudo, ainda se vê muito das qualidades da obra de Stieg Larsson no filme. Quem é fã - como sempre - provavelmente se decepcionará, mas, ainda assim, o indico.
Nota: 3/5

28 janeiro 2012

L11 - Como água para chocolate


Numa aula de espanhol, eu já havia assistido ao filme de Como água para chocolate – e gostado bastante. Como é tendência, o livro mostrou-se muito melhor.
Tita de La Garza cresceu na cozinha: por sua mãe, a temível Mamá Elena, não ter leite para dar a sua filha caçula, sua alimentação – além de qualquer vínculo emocional com o resto do mundo – ficou por conta de Nacha, empregada da família. Talvez seja por isto que Tita se tornou uma maravilhosa cozinheira, e também a razão pela qual os capítulos do livro sejam estruturados em torno de uma receita: a autora soube bem intercalar a forma de preparo de diversos quitutes com acontecimentos significativos pro enredo.
Por causa de uma velha tradição familiar – a de que a filha caçula deveria cuidar da mãe até que a mesma morresse – Tita é privada de casar-se com Pedro, a quem ama bastante. Pedro, a fim de ficar perto de sua amada, casa-se com sua irmã, Rousaura, iniciando-se assim uma série de intrigas na família de La Garza. Essas intrigas são literalmente alimentadas pelas reações causadas pela comida preparada por Tita, que carrega todas as emoções que a mesma sentiu durante o seu preparo.
Para alguém desacostumado – feito eu – o gênero realismo literário, ao qual o livro pertence, pode soar estúpido e infantil. Contudo, depois que me acostumei, dei boas risadas com os “exageros” presentes neste tipo de obra.
Os personagens são um ponto que divergiu minha opinião: enquanto adorei Tita, a heroína, por sua força e coragem, detestei Pedro por ele ser completamente diferente de sua amada. Mamãe Elena foi uma vilã maravilhosa: Laura Esquivel conseguiu fazê-la detestável, mas ao mesmo tempo humana.
Mais um ótimo livro para o Desafio Literário 2012. Que venham muitos mais nos próximos onze meses!
Nota: 4/5

26 janeiro 2012

F9: Sherlock Holmes: O jogo das sombras



Mesmo mais de uma semana depois (aliás, me desculpem pela ausência, estava na praia e o 3G da Tim é uma porcaria por lá) de ter assistido Sherlock Holmes: O jogo das sombras no cinema, ainda não me decidi sobre a minha opinião quanto ao mesmo.
Em Sherlock Holmes: O jogo das Sombras, Watson, companheiro inseparável de Holmes, está prestes a se casar. Holmes, contudo, tem outros planos para os dois, pois está envolvido no maior caso de sua carreira: pegar o professor Moriarty, brilhante intelectual e assassino que pretende deflagrar uma guerra na Europa.
Li alguns dos livros da série do famoso detetive e simplesmente não conseguia enxergar o Sherlock das telas como o mesmo do livro. O Sherlock que imaginei ao ler era inteligente, arrogante, viciado em cocaína e não tão bonito como Robert Downey Jr. – embora as duas primeiras características que citei lhe conferissem um tiquinho de charme às vezes. Vi somente alguns lampejos disto no ator escolhido: em algumas cenas, o ar de extrema esperteza parecia genuíno, mas no resto, ele continuava com uma aura intangível do Stark de O homem de Ferro.
Porém, quando eu consegui afastar-me do olhar de fan girl, acabei gostando muito do filme: é uma mistura de um roteiro inteligente com cenas de ação bem feitas. Ponto (como sempre, hihi) para Jude Law, que fez o dr.Watson: ele realmente me convenceu, não só como parte daquele filme em especial, mas também como o mesmo personagem que narra os livros.

Não vá esperando uma boa adaptação da obra de Conan Doyle: quanto mais fã você for, mais estupefato ficará. Contudo, para aqueles que querem simplesmente um filme hollywoodiano razoável, o filme cumpre muito bem esta proposta.
Nota: 3/5