27 dezembro 2013

5 melhores livros de 2013


2013 foi um ano longo, longuissimo – não consigo me lembrar tão bem quanto deveria das sensações oferecidas pelas leituras abaixo. Essa lista, porém, foi relativamente fácil de ser feita – foi esse ano que li os melhores livros da minha vida, alguns que mudaram a maneira com que a enxergo, e dessa maneira, não foi uma seleção tão difícil assim. Eis os meus melhores de 2013, em nenhuma ordem específica:

21 dezembro 2013

O oceano no fim do caminho



Por meio desta, eu confesso:
tenho um probleminha com Neil Gaiman.

Antes que venham as pedras, afirmo, por favor, de que não estou tecendo críticas à este maravilhoso autor – toda a confusão encontrada na hora das minhas leituras foram graças a minha falta de capacidade de interpretação. Sim, ela existe, mas não para essas leituras em específico; nós dois aparentemente não estamos na mesma sintonia.

Mas é claro que eu me sentia perdendo um bocado em ter que excluir da minha lista um dos maiores escritores pós-modernos (que, por ser do meu tempo, devia apresentar-se mais fácil) e foi um alívio quando O oceano no fim do caminho propôs uma reconciliação.

19 dezembro 2013

O Sistema


Todos fazemos promessas, tudo é em alguma maneira uma promessa, mas não há nada que se exceda mais nesse campo do que uma narrativa. Cada novo personagem, item ou ação gera expectativas naquele que a prestigia, expectativas que devem ser frustradas ou satisfeitas. Nenhum desses dois caminhos é ruim; o ruim é, na verdade, um terceiro caminho,o de fazer promessas e esquecé-las, como se nunca tivessem existido. Ele sim que causa a tal frustração.

Com uma premissa completamente adorável (lembrando a minha série adorada e ansiada, Continuum) O Sistema se excede, infelizmente, em quebrar as suas promessas, esquecendo-se completamente de elementos apresentados que o expectador anseia para que sejam desenvolvido – mas, no final, não são.

17 dezembro 2013

5 coisas sobre a República Tcheca - 116° dia edition


Como falei no meu post de volta (e em quase todos os posteriores – intercambista tem vício de falar disso mesmo, juro que não é “querer se mostrar”, como dito em bom baianês) estou fazendo um intercâmbio de dez meses na República Tcheca, morando em casa de família e estudando em uma escola de ensino médio. O clichê é imenso, mas de fato intercâmbio é uma vida em um ano, não um ano em sua vida – construir toda uma nova rede de relacionamentos e aprender hábitos culturais feito um bebê fazem tudo parecer maior e mais fascinante.

Portanto, não dá (nem de longe) para resumir tudo que eu vivi aqui, e isso fugiria um pouco do objetivo. Porém, quero colocar aqui um pouquinho desse país centro-europeu lindo, compartilhando minhas dez impressões (que, não preciso falar, são bem pessoais e não necessariamente refletem a realidade) nesses três meses e meio de aventura. Não perderei meu tempo (como muitos intercambistas cheios de espírito de vira lata, deslumbrados pelos eletrônicos baratos e ruas limpas) em comparar a qualidade de vida com o Brasil, sendo óbvio que dois países com trajetórias bastante distintas teriam isso também distinto. Vamos lá então:

14 dezembro 2013

Norwegian Wood (livro)



Alguns livros não são feitos para serem lidos em determinados momentos – seja por tema, densidade ou até mesmo o humor do leitor, aquele casamento entre uma boa obra e sua hora certa é maravilhoso quando acontece, maximizando a experiência da leitura. Norwegian Wood foi uma escolha pobre para quem acabara de chegar em um novo país e via-se no limbo entre férias de fato e aulas, não compartilhados por sua família hospedeira ou amigos intercambistas.

Bom.

Digo isso porque nos meus dias de pseudo-descanso pré-aula cheiraram à solidão e nolstagia, talvez as palavras (junto com “melancolia”) que possam melhor classificar Norwegian Wood.

12 dezembro 2013

Orange is the new black



Já comecei Orange is the new black com uma encrenquinha de leve com a série: a escolha de protagonista é um pouco duvidosa. Piper, a supracitada, não é exatamente uma figura que se esperaria encontrar em uma prisão – com diploma universitário e dinheiro no bolso, ela leva uma vida bastante confortável no círculo de classe média alta de Nova Iorque.

Mas mesmo não fazendo parte das estatísticas gerais, todos temos passado, e o de Piper envolve, dez anos antes, um namoro conturbado com uma traficante internacional de drogas. Graças a uma confissão de alguém do cartel, ela é condenada a quinze meses em uma prisão federal por transportar dinheiro proveniente do tráfico, sendo retirada então de seu noivo, Larry (um escritor-em-potencial esperando que o seu próximo texto estoure) e de seu próspero negócio de sabonetes artesanais.


10 dezembro 2013

Não morri, juro


Tava sem clima pra escrever.

Essa é uma desculpa bem idiota quando se tem um blog que é seu amorzinho e é recheado de textos (alguns dos quais você se orgulha, uns razoáveis e outros nem tanto, mas que serviram pra aquela tal coisa que vivem dizendo que é necessária chamada treino) mas é a única que eu posso dizer. E se fosse minimante decente colocar smileys em um texto desse estilo, colocaria aquele de ombrinhos levantados e meio-não-sorriso torto.
 
Mas vamos lá, com os dedos enferrujados, abrir um arquivo do LibreOffice (o meu computador novo que trouxe pr'essas terras frias não tem Microsoft Word) e começar a digitar sem rumo, o cansaço bem único de ouvir (e tentar falar) uma língua completamente diferente daquela que se chama de mãe o dia inteiro se acumulando debaixo dos meus olhos.

Certo, então, o que eu ando fazendo?

21 setembro 2013

O guia do mochileiro das galáxias



Dez entre dez manuais de escrita dizem que na hora de escrever ficção, menos é mais, e parece que o genial Douglas Adams seguiu isso a risca: o primeiro livro da série O guia do mochileiro das galáxias, que atende pelo mesmo nome, tem muita história mas muita pouca enrolação.

Nas menos de duzentas páginas que passam voando, conhecemos a história de Arthur Dent, um inglês que se vê em uma situação levemente desconfortável: a sua casa será destruída para uma construção pública. Avisado somente alguns dias antes de ter que desocupá-la, ele se vê estranhamente tendo que deixar a sua zona de conforto e a sua amada casinha.

01 setembro 2013

Domingo Preguiçoso: Emmy eats

Eu não sei se isso é louco demais, mas adquiri um novo vício nos últimos tempos: o vídeo dos canais da nipo-americana Emmy. Ele se dividem em duas categorias, basicamente: os onde ela prepara kits para fazer doce (?) super detalhados e complexos da terra de seus ancestrais e os vídeos Emmy eats, os meus favoritos.

Os Emmy eats são bem fascinantes: fãs mandam para ela pacotões com doces, lanchinhos e afins de seus países natais, e ela faz vídeos resenhas dos mesmos. Parece meio louco, mas é muito legal ver as diferenças (as vezes sutis, as vezes gritantes) de besteirinhas de diferentes culturas.

Essa playlist tem todos os vídeos que Emmy fez dessa categoria até agora, mas aqui estão meus favoritos (sim, eu já vi todos):




28 agosto 2013

Quarta-feira aleatória: Siberia



A primeira série que acompanhei de verdade foi a já finalizada LOST, que despertou um séquito gigantescos de fãs enlouquecidos, loucos que passavam suas madrugadas reassistindo os episódios cena por cena a fim de achar um pequeno detalhe que possa ajudar na resolução de quaisquer dos inúmeros mistérios da Ilha que abrigou os sobreviventes do vôo 815.

Segundo produtores e alguns fãs, o final estilo espírita – que deixou quase todos os mistérios não resolvidos – só serviu para reafirmar a crença de que LOST falava sobre as pessoas e seus relacionamentos em uma situação extrema. Essa fã daqui? Bom, não gostei nadinha: como é ruim esperar por anos para não ter os mistérios (que eram realmente de tirar o sono) da ilha resolvidos! Desde então, não tenho assistido muito mais séries nesse estilo, cheias de mistérios que poderiam envolver até empresas estilo ficção científica ou criaturas sobrenaturais . Agora quebro o jejum com Siberia.

25 agosto 2013

Domingo preguiçoso: tatuagens literárias

Já fiz um breve comentário sobre tatuagens literárias por aqui, e já passou da hora de fazer uma nova versão daquele post. Todas imagens retiradas do ótimo Contrariwise.


O muito clássico "so it goes" ("e aí vai" ou "tudo segue") de Matadouro Cinco de Kurt Vonnegut. Repetido 127 vezes, é bastante comum entre o pessoal que manda as fotos pro Contrariwise.

24 agosto 2013

Sábado + livro = < 3: O grande Gatsby



Jane Austen já havia me ensinado, e agora F. Scott Fitzgerald reafirma: a humanidade mudou muito pouco.

22 agosto 2013

Filminho de quinta: Pelos olhos de Maisie



Boas interpretações podem carregar um filme nas costas. Boas interpretações de crianças, porém, o fazem de uma forma bastante especial.

Eu sei que isso parece ir contra a minha postura usual de não subestimar os pequenos, mas não se enganem: é óbvio que a falta de experiência leva um ator mirim a não interpretar tão bem quanto a senhora que protagonizou Amour. Narrado por uma garotinha de sete anos, que não sai de cena em momento algum, Pelo olhar de Maisie tem uma luz especial.

21 agosto 2013

Quarta-feira aleatória: quatro livros que dariam ótimas séries literárias

Considerando que sou leitora assídua de livros para jovens, esse é um tema que ultrapassa as fronteiras do estranho – em geral, os YAs de hoje em dia pecam por excesso de séries, não por sua falta. Como as séries da escritora americana Cassandra Clare, por exemplo, poderiam ser melhores se condensadas! Qual foi a necessidade de A esperança para o fechamento da maravilhosa trilogia Jogos Vorazes?

Mas não vivo só de romancezinhos adolescentes e sempre existem exceções, então foi com alguma dificuldade que selecionei essas não partes de série que me fizeram desesperadamente querer mais. Alerta para possíveis heresias literárias!

18 agosto 2013

Domingo preguiçoso: três melhores vídeos-musicais de Game of Thrones/As crônicas de gelo e fogo


Só li os dois primeiros livros de As Crônicas de Gelo e Fogo, mas já adoro bastante a série e espero mesmo que George Martin não morra antes de completar os livros.

Tá, eu não deveria dizer esse tipo de coisa.




Mas como internet e irmãs são sombrias e cheias de spoilers, já tive bastante revelações sobre a trama, o que me permitiu assistir os vídeos abaixo com certa tranqüilidade. Mas fiquem tranqüilos, eu não sou nenhuma chata: todos os adoráveis três musicais abaixo estão com “classificação” de acordo com as revelações de enredo que apresentam, que variam de nenhuma até o terceiro livro/terceira temporada. Aproveitem!

17 agosto 2013

Sábado + livro = < 3: Liberta-me


Se eu fizesse uma lista das dez coisas que mais me irritam em livros, mocinhas que lamentam demais, triângulos amorosos e escrita pretensiosa com certeza estariam entre os itens. Mas tudo depende da execução, como a parte dois do filme Amanhecer me mostrou, e mesmo contendo todos os defeitos enumerados acima, Liberta-me, de Tahereh Mafi, conseguiu atingir um nível de excelência bastante semelhante ao seu primeiro livro. [A partir daqui pode conter spoilers de Estilhaça-me.]

15 agosto 2013

Filminho de quinta: Confissões


O Japão é um país estranho. E não estranho do tipo “fascinante”, estranho do tipo estranho mesmo.

Pode soar um pouco xenofóbico, mas juro de pés juntos que não tenho nada contra japoneses – é só que seus hábitos, disposições e tiques me parecem muito mais distantes do que outras culturas menos divulgadas. O Japão não é só sushi, chá e animes. Há algo de sombrio e dramático em toda obra japonesa que já vi,que sinto que nunca chegarei a compreender por não compreender o povo japonês em si.

14 agosto 2013

Quarta-feira aleatória: 3 músicas de Daft Punk


É claro que eu gosto de música – qual o ser humano anormal que não gosta? Dos mais diversos gêneros, nacionalidades e tons, é impossível não encontrar um grupo ou outro que lhe agrade.

Mas ao contrário do que freqüentemente sou com a literatura, na música tenho pouco um espírito “escavador”, ou seja, não procuro coisas diferentes tanto assim. Me satisfaço com as sugestões automáticas do YouTube, as rádios ou indicações de amigos. Não passo horas em sites para bandas de garagem procurando um som de ouro ainda não representado por uma gravadora famosa, e não atendo aos freqüentes apelos de “por favor, me ouça! Spam é chato, mas me ouça!” nos top comentários do YouTube.



Por isso as minhas indicações aqui não são nada preciosas, as vezes até maistream demais – mas o que fazer? Daft Punk, com seu novo álbum, ocupou matérias e matérias de revistas e sites especializados nos últimos meses. Chego um pouquinho atrasada, mas me deixem falar o que curto desse tão peculiar duo:

11 agosto 2013

Domingo preguiçoso: Armaduras reais

Errr... Não.
Li esse texto aqui sobre armaduras em mulheres faz um tempinho, e é impressionante como podemos ser cegos para esse tipo de coisa, já interiorizada: eu nunca havia pensado sobre o fato de que algumas armaduras femininas fazem tudo, menos proteger.


O mesmo texto me levou a esse Tumblr, com fotos e desenhos maravilhosos de armaduras reais em mulheres. Essas daqui foram as minhas favoritas:

10 agosto 2013

Sábado + livro = < 3: Caçadores de bruxas



Minhas expectativas para o primeiro volume da trilogia Dragões de Éter, Caçadores de Bruxas, eram altas: eu já havia ouvido falar bastante de Raphael Draccon, e os elogios eram inúmeros. Iguais aos meus nessa resenha.

Vamos começar pelo narrador: geralmente desimportante quando não é um personagem do próprio livro, aqui esta lógica se inverte, com um contador de histórias onisciente nos narrando diversas aventuras paralelas de uma forma que atiça a curiosidade do leitor mais desinteressado. Como ele sabe de tudo? Como ele consegue fazer algo como dar “pausa” em um cenário parecer a coisa mais ordinária do mundo? As digressões são gigantescas, muitas vezes ininteligíveis e estranhas, mas cada uma delas é necessária para sabermos mais sobre os fascinantes personagens que habitam Nova Ether.

08 agosto 2013

Filminho de quinta: Idiocracia



Mais uma pra série coisas que me irritam na humanidade (mas que provavelmente faço também): complexo de superioridade. Embora possivelmente isso seja um problema mais freqüente na classe média brasileira do que na humanidade em si. [E aqui recorro a outra coisa que me irrita: dizer que alguma coisa é problema do Brasil. Bom, não somos perfeitos, e as fascinantes terras tupiniquins e a internet sem lei tem sido meu universo até agora, então não poderia falar com o mínimo de propriedade de qualquer outro povo.]

Dá nos nervos essa prepotência de que você sabe o que é certo, que seu voto é o correto, você é fã de verdade do livro X e interpretou-o corretamente. É o resto que é culpado pela eleição de políticos ruins, é o resto que não sabe o que está dizendo sobre o livro X e por aí vai. Irritante, irritante, irritante. A culpa é sempre dos outros.

07 agosto 2013

Quarta-feira aleatória: Continuum (série)



O tema das viagens no tempo habita as mentes dos escritores de ficção científica há décadas, mas ainda divide os grandes físicos quanto a sua possibilidade real e conseqüências. O velho paradoxo: e se eu voltasse no tempo e impedisse que meus avós se conhecessem?

04 agosto 2013

Domingo preguiçoso: o melhor comercial de absorventes que eu já vi

E sim, vocês não leram o título errado.

Publicitários que me desculpem, mas a proporção de comerciais inteligentes para comerciais completamente idiotas e irreais é bem injusta. Coisas "próprias para as mulheres" tem um tipo de idiotice particular e perigoso. Comerciais de absorventes não são o pior da lista, mas nuvens azuis e olhares inadequadamente insistentes de homens não são exatamente a melhor coisa do mundo para colocar na televisão. 

Até que lendo os comentários do blog de Lola encontro essa genial peça publicitária: Camp Gyno.

Feito exatamente para aquelas para quem menstruar é uma novidade (pré-adolescentes) Camp Gyno retrata a menstruação de uma forma real e engraçadinha. Infelizmente não achei o vídeo legendado, mas aí está a versão original:



Correndo o risco de soar vira lata, espero que importem esse tipo de publicidade para as terras tupiniquins.

03 agosto 2013

Sábado + livro + < 3: Linhagens


De forma geral, eu começo as resenhas com alguma reflexão que a obra em questão (seja livro ou filme) me trouxe.

Alguns, porém, não trazem reflexão nenhuma – o que é ruim – ou são tão completos em si próprios que não conseguem me fazer escrever mais nada do que o referente ao seu enredo, diálogos e narrativa – o que é bom, e é o caso de Linhagens, de Eleonor Hertzog. [Pode conter spoilers de Cisne a partir daqui.]

01 agosto 2013

Filminho de quinta: Toda forma de amor



Nós, temos uma necessidade geral de classificar as coisas, de estereotipar tudo, de encaixar toda nossa vida em um molde. É completamente compreensível: tudo é tão difícil, então porque não simplificar as coisas?
Pena que a vida não é tão simples assim.

É engraçado que eu não consiga classificar Toda forma de amor nem falar com precisão do filme porque justamente isso o tema central do filme: a nossa falha ao querer saber tudo.



Alguns meses depois da morte de sua esposa Hal “sai do armário”. Tudo parece ótimo: ele participa de grupos para direitos civis dos homossexuais, arruma um namorado e não enfrenta nenhuma resistência do único filho, Oliver. Pois é, uma parte das pessoas que assistiu Toda forma de amor meio que quebrou a cara aqui: o filme não é sobre a aceitação do filho a homossexualidade do pai. Oliver é bastante tranqüilo com isso – sua preocupação se resume a felicidade da mãe, agora questionada por ter sido casada durante décadas com um homem que não a desejava.

31 julho 2013

Quarta-feira aleatória: Camp NaNoWriMo, julho de 2013



Cerca de três vezes por ano algumas dezenas de pessoas com pouco tempo livre e bastante disposição se junta online para participar dos programas do Office of Letters and Lights, conhecido por incentivar novos e velhos autores a fazer o seu ofício: escrever.

Para alguém que não escreve é estranho que muitos de nós precisem de incentivo, mas escrever um romance se prova uma tarefa ingrata. No começo é divertido como uma viagem de férias, mas assim como nossos pés criam bolhas e a cama do hotel nunca é igual a de casa, os personagens se rebelam, o enredo se prova idiota e qualquer relida atraí magneticamente nossos dedos a tecla Delete. Para mim, a coisa é mais ou menos como disse Dorothy Parker: eu odeio escrever, mas amo ter escrito.

28 julho 2013

Domingo preguiçoso: Feminist Frequency

Feminist Frequency Logo

O Feminist Frequency é um programa online criado por Anita Sarkieesan que explora de forma linda as representações da mulher na cultura pop. Como escritora, leitora assídua e ser humano, confesso que muitas das representações expostas por Anita me escapavam nas minhas leituras, filmes e seriados, mas tudo que ela fala é tão embasado que nunca consigo desligar o meu alerta contra Manic Pixie Dream Girls ou fazer mentalmente o teste de Bechdel.
Anita Sarkeesian at Rusty Quarters
Se você gosta de qualquer coisa de ficção – sejam games, livros, séries ou filmes – sugiro que assista os três vídeos abaixo, os meus preferidos (e, na minha opinião, essenciais) da série de Anita. Não dá para ver a ficção da mesma maneira depois disso.

[Clique em CC embaixo do vídeo para selecionar as legendas em português.]

27 julho 2013

Sábado + livro = < 3: Sob o céu do nunca



Dentre as coisas que mais me irritam na internet estão os conceitos de “poser” e “modinha”. O primeiro é assunto para páginas e páginas de Word, mas vamos tratar um pouquinho do segundo, já que ele se relaciona profundamente com o livro que vou resenhar hoje.

É sempre assim: basta um determinado assunto fazer sucesso que já se seguem toneladas e toneladas de obras com assuntos semelhantes. A maior parte das pessoas relaciona isso ao oportunismo dos autores, mas eu não vou tão longe: é uma mera questão editorial.

26 julho 2013

Maratona literária: o que é, o que eu vou ler.

Post fora de hora para anunciar a minha participação na Maratona Literária. Clique aqui para mais informações sobre como participar e assista o vídeo para saber o que eu ando planejando!

25 julho 2013

Filminho de quinta: A ilha + sorteio do livro Bruxos e Bruxas!



O isolamento é uma arma preciosa para governos ou organizações ditatoriais ao controlar os seus subjugados – não é por nada que a internet foi temporariamente cortada no Egito durante a sua primeira revolução, por exemplo.

Por isso é instantaneamente curioso para o espectador de A ilha que os personagens em um cenário aparentemente distópico queiram ir para o local que é o maior símbolo de isolamento – uma ilha. Lincoln Six Echo e Jordan Two Delta vivem em um lugar no subsolo que dizem ser um dos últimos refúgios da humanidade depois de uma terrível contaminação. Suas tarefas e aspirações são reduzidas ao mais simples possível: se manter saudável e esperar ansiosamente para ir para a tal Ilha, um local paradisíaco onde alguns sortudos sorteados vão para repopular a terra.

24 julho 2013

Quarta-feira aleatória: sete personagens que eu gostaria de conhecer



Já escrevi uma coisa ou outra sobre personagens aqui, como os mais frustrantes ou aqueles com quem eu trocaria de lugar por um tempinho. Mas nada em relação a parar um pouco tomar um chá, bater um papinho ou até mesmo questionar os erros que eles cometeram em seus respectivos erros. Como toda lista, esta é bastante difícil, afinal toda boa obra tem uma ou outra figura fascinante, em diferentes níveis e intensidades.
Sem mais delongas, a muito incompleta relação dos personagens que eu gostaria de conhecer.

23 julho 2013

Vídeo de terça: tag louca por filmes



Vídeo de terça um pouquinho diferente do comum, mas espero que vocês gostem! Falo um pouco sobre meus filmes e gêneros favoritos, e os que tem resenha no blog estão no box de Sobre do proprio YouTube. 

21 julho 2013

Domingo preguiçoso: quando o mundo acabar

Para variar um pouquinho, estou em progresso na escrita de um livro distópico, que apesar de não ser pós-apocaliptico, tem como cenário uma cidade “urbanizada” e excludente ao extremo.
Qual não é minha felicidade ao ver no maravilhoso blogConversaCult esse set de imagens estranhamente fascinantes com o tema distópico/futurista/pós apocaliptico que deixo aqui para vocês, fãs e não fãs do gênero, nesse Domingo Preguiçoso.

20 julho 2013

Sábado + livro = < 3: As bruxas de Oxford



Graças a nossa eterna e coletiva síndrome do floco de neve especial, todo mundo gosta de passar uma fase da vida gostando de algo único e realmente peculiar (mas só nas suas cabecinhas), abraçando bandas indie antigas ou aprendendo maia.

Eu também tive uma fase especialmente intensa disso, claro, mas meu interesse não era musical nem de estilo – eram bruxas.

18 julho 2013

Filminho de quinta: Looper

Por meio desta, eu confesso: eu geralmente rio muito de filmes e séries de ficção científicas famosos.

Eu sei – e como sei! – que não são os efeitos especiais que fazem uma boa obra para as telinhas, mas alguns trechos de Duna, da série original de Jornadas nas Estrelas e até mesmo dos filmes mais antigos de Guerra nas Estrelas (por favor, não quero bombas na minha caixa de correio! Livros sim, bombas não!) arrancaram alguns risinhos de escárnio da minha parte.

Holywood me adestrou bem nesse quesito, pessoal. Ou você poderia dizer que “elevou os meus padrões”, se for gentil.

17 julho 2013

Quarta-feira aleatória: cinco melhores músicas de Os miseráveis



O filme Os miseráveis começou lentinho, com uma péssima maneira de mostrar o passado do ex-condenado Jean Valjean – mas depois de sua transformação em industrial, precisei pegar uma toalha para secar minhas lágrimas. Uma dica? Não assista em público. É simplesmente triste e emocionante demais.


OBS.: O post não contém spoilers significativos para o enredo.
OBS2.: Sem ordem particular de preferência.

14 julho 2013

Domingo preguiçoso: A pequena vendedora de fósforos



Talvez a maturidade me faça entender porque as crianças são, de forma geral, subestimadas pelos adultos, como se fossem seres incompletos, como se a chegada da idade parasse completamente o desenvolvimento e aprendizado que se tem mais intensamente nessa idade.



Meu amor pelas coisas feitas por esse público que não as subestimam já é muito declarado, e eis que topo com esse curta do lindíssimo conto de Hans Christian Andersen, A pequena vendedora de fósforos. Como eu nunca havia visto nada que adaptasse esta história em especial, aqui está a dica do Domingo Preguiçoso.


13 julho 2013

Sábado + livro = < 3: Bruxos e bruxas

Adoro estratégias de marketing bem feitas, e a da Editora Novo Conceito para o livro de James Patterson e Gabrielle Charbonnet Bruxos e bruxas foi especialmente feliz – e, confesso, me deixou com um medinho por um tempo.

Não costumo receber coisas que não sejam livros ou encomendas pelo correio, então estranhei um pouco ao ver um envelope fininho – será do intercâmbio? Não, a organização é do Rio de Janeiro, não de São Paulo, de onde é o selo. Abro, e qual não é minha surpresa quando me deparo com um falso panfleto de “Procurados”: algo chamado a Nova Ordem está atrás de dois adolescentes, irmãos, um menino e uma menina ditos ser muito perigosos. Uma pesquisa rápida na internet me revela um governo aparentemente ditatorial que, além de querer prender menores de idade sem especificar os seus crimes, diz que seu jornal e suas páginas na internet são as únicas fontes reais de informação.

“Vem aí uma distopia ótima, há!”

Logo nas primeiras páginas de Bruxos e bruxas vi que me enganei. Redondamente.

11 julho 2013

Filminho de quinta: dos monstrinhos que a Pixar criou


Acabei de chegar do cinema onde assisti com minha irmã Universidade de Monstros, a prequel para o muito famoso Monstros S/A. Adoro assistir animações no cinema por um motivo: o clima em geral é tão feliz (e/ou emocionante) que não consigo me incomodar muito com os freqüentadores extremamente mal-educados, que acham que conversar, atender ao telefone (“to no cinema, cara!!”) ou narrar a história (“aposto que agora ele vai abrir a porta! Abriu! Não disse?”, “Olha o zumbi ali! Não, faz silêncio, idiota!”) sejam boas idéias.
Mas seja em casa ou seja no multiplex local, uma coisa é mais do que certa: as animações que assisti recentemente (sobretudo as da Pixar) tem me deixado com uma sensação incrível de vazio.

10 julho 2013

Quarta-feira aleatória: The Paradise (série)



Por algum tempo, séries de época para mim se resumiam naquelas que mostravam a ociosa (mas não entediante) vida das elites da época vitoriana.

Ainda bem que o novelão Downton Abbey desmistificou isso na minha cabecinha, abrindo meus horizontes para produções que retratam épocas mais recentes e a classe operária – mas que não perdem a magia e sotaque bonito. 
Confesso que as adaptações de Jane Austen (com sua leve e quase imperceptível ironia) ainda ocupam o lugar número um no coração, mas o charme também é presente naquelas que retratam não as relações sociais da elite inglesa, e sim as mudanças – protagonizadas por gente de todo tipo e origem.



As lojas de departamento fizeram parte da consolidação da cultura de consumo em praticamente todo o lugar, alterando a tradição e minando muitos pequenos comerciantes e seus exclusivos (mas de qualidade) produtos. Eu já havia começado a assistir Mr.Selfridge’s, que conta a história da abertura da primeira loja de departamentos em Londres (que existe até hoje) mas o andamento da série e seus personagens não me agradaram muito para passar do terceiro episódio. Aí achei The Paradise que, apesar de alguns defeitos, superou minhas expectativas.

09 julho 2013

07 julho 2013

Domingo preguiçoso: capas x gênero


Não dá para dizer tanto com 140 caracteres: "Eu desejo ter uma moeda para cada email que recebo que diz "Por favor coloque uma capa não-menininha no seu livro e então eu poderei lê-lo. - assinado, Um Rapaz.""
Um tweet da autora Amanda Hocking me chamou a atenção alguns meses atrás: ele falava sobre gênero.

Eu não devia, mas me surpreendo quando autores de livros Young Adult (principalmente se forem dos livros considerados mais “menininha” falam desse tema. Isso porque o machismo e os esteriótipos na maior parte do tempo dominam o meu gênero favorito, seja ele contemporâneo, distópico ou sobrenatural. Enfim, Amanda Hocking havia postado em seu blog sobre um maravilhoso e muito repercutido texto de outra autora, Maureen Johnson, chamado The Gender Coverup. Já imaginei milhares de maneiras com as quais eu introduziria esse texto aqui no blog, mas nesse Domingo Preguiçoso, não posso deixar de mostrar o resultado de  um desafio proposto por Maureen.

On the road - Pé na Estrada, de Jack Kerouac (fonte).
Como seriam as capas de seus livros favoritos caso eles fossem escritos por alguém do sexo oposto? Que pergunta imbecil, Isabel, você pode falar. Livros não tem gênero


Não. Por mais que muitos capistas façam trabalhos fantásticos, infelizmente, a percepção de masculino e feminino afeta bastante o seu trabalho - seja por inclinação propria, seja por pedidos dos autores e dos editores. Mas dê uma olhada nas imagens abaixo: tenho certeza de que você vai mudar de ideia. 

06 julho 2013

Sábado + livro = < 3: O conto da aia




Eu não tinha saudades quando eu era pequena e minhas felicidades cotidianas e familiares, porque sei que poderia voltar àquilo quando bem quisesse. O meu universo se ampliou, com o pequeno ônus de saber que em alguns dos rios pelos quais passeis nunca poderei voltar – ao menos não da mesma maneira.

No meu caso, isso é, quase sempre, algo suportável e as vezes até bom. Mas quando só se possui o passado e nada mais? Quando a saudade é tão grande que se transforma em uma denúncia óbvia da falta de futuro a se ansiar e da impossibilidade de prazer (por menor que ele seja) no cotidiano? Não estou falando de algum relato da aproximação da morte, e sim de Offred, uma aia na República de Gilead.

30 junho 2013

Domingo Preguiçoso: websérie de uma Jane Eyre hipster



Faz um tempinho que quero uma coluna para falar de coisas rápidas que eu nunca julguei que mereceriam um post, mas enfim.
Isso merece, merece muito.

Sem mais delongas, lhes apresento o Domingo Preguiçoso. Coisas aleatórias (e fantásticas) que andaram por aí no meu Feed, mas não rendem o meu blábláblá de sempre.



Jane Eyre é um dos meus romances de formação favoritos de todos os tempos – narrando a história de uma garotinha órfã do século dezenove que se torna perceptora da protegida de um homem recluso (e riquíssimo), é uma daquelas leituras que valem a pena ver de novo ao menos uma vez no ano.
The Lizzie Bennet Diaries é uma web série criada por... Bom, acho que aqueles de vocês que não estavam em uma câmera criogênica conhecem (e provavelmente muito bem) The Lizzie Bennet Diaries, a fantástica adaptação em vlog de Orgulho e Preconceito.