26 março 2013

[SÉRIE] The Borgias


                                     


Hesito um pouco ao escrever sobre The Borgias. Não que este drama seja uma série ruim, mas porque os requintes da crueldade dos personagens é tamanho que é impossível não se chocar um pouco. Assim como qualquer pessoa que está no poder (e quer se manter nele) os Bórgias mentem, roubam e matam pessoas como quem mata formigas ao pisar no chão – e tudo isso tendo o Vaticano como pano de fundo.

Sim, é meio desagradável – mas continua sendo uma série fantástica.



Em 1492, o cardeal Rodrigo Bórgia é escolhido como papa. Mas é óbvio que toda a audiência de The Borgias não se deve as infinitas demonstrações de amor do santo padre em questão, e sim justamente pelo contrário – sua eleição, completamente forjada no primeiro, dá uma ideia bem clara do que vem por aí.




Um espanhol mal-falado, cheio de filhos e que publicamente admite manter uma “cocunbina” (que nos tempos modernos seria considerada esposa) Rodrigo Bórgia obviamente não foi eleito por amor de seus irmãos cardeais. Na complicada tarefa de introduzir tentativas de suborno para os membros do conclave ele tem ajuda de seu primogênito, Cesare – um bispo de índole tão duvidosa que foi a inspiração de Maquiavel no seu famoso livro O príncipe. Maquiavel que, aliás, se faz presente no seriado em um dos seus melhores aspectos: o retrato de personalidades históricas.

É bem comum em produções que retratam a História com h maiúsculo a admissão de que os espectadores já a conhecem. Aqui, isso não é feito, apresentando o panorama do Vaticano e do mundo na época de uma maneira tão didática que você dificilmente diria que está aprendendo.



E esse tal panorama é bastante importante: o agora papa Alexander Sixtus (não, não é spoiler – acontece no primeiro episódio) percebe que seu cargo é muito mais político do que religioso, envolvendo-se em um emaranhado de guerras, reis e príncipes. Problemas internos também representam uma pedra no seu sapato – a maior delas é o honroso cardeal Della Rovere, que crê ser Bórgia um homem vil demais para o papado. Usando como justificativa os seus inúmeros filhos, mulher e uma amante bem nascida, o cardeal prova ser um dos personagens mais corajosos que já vi ao sair pela Europa buscando apoio à derrubada de Alexander Sixtus, arriscando-se cair nas perigosas mãos de Cesare.



Embora este último tenha sido imortalizado por Maquiavel, é Lucrezia Bórgia que mais desperta a atenção de cineastas e escritores. No início me perguntei por quê: a garota de catorze anos não passava de uma princesa em uma torre, a ser resgatada por seu muito afetivo irmão e sem grandes atrativos além de sua beleza. Depois de ser continuamente maltratada por seu marido (um nobre com quem casou por necessidade de mais homens no exército papal), é operada em Lucrezia uma mudança ímpar, que a torna tão sagaz quanto Cesare e sedutora como seu pai.

Porque, como é insinuado, não é o Vaticano, e sim a família Bórgia que ocupa um papel central no enredo. Embora Rodrigo Bórgia tenha tido vários filhos, além dos supracitados, só acrescemos Juan, um rapaz desmiolado destinado pelo pai à guerra assim como seu irmão foi destinado à igreja. Para a carreira eclesiástica nenhum dos dois apresentava talento, mas para a militar fica logo claro que Cesare tinha de estar no seu lugar – e, mais do que isso, queria. Coloque na mistura a mãe, uma mulher com orgulho ferido ao ver o homem por quem tudo abandonou (inclusive os princípios religiosos que, por incrível que pareça, se fazem presentes de vez em quando) exibindo-se publicamente com a amante: voilá, temos The Borgias.


A produção é impecável, com uma preocupação enorme e riqueza de detalhes com caracterização e cenários. Embora o papa Alexander Sixtus dos livros de História tenha me soado diferente, não reclamo, ao contrário de muitos, da atuação de seu interprete – e nem de nenhum dos outros.

É impressionante a lista de obras ficcionais nas quais a família Bórgia figura – e não é para menos: a “primeira família criminosa” tinha bastante o que contar.

17 comentários:

  1. Oi Isabel
    A série parece interessantíssima, mas acho que não foi feita para eu poder ver. Acabaria, discordando de um monte de coisa. De qualquer forma, bela resenha.

    ResponderExcluir
  2. Olá, tudo bom?
    Bem, essa série é bem comentada na internet, inclusive, tem um pequeno livro com ilustrações da série que eu vi numa livraria, e me chamou bastante atenção.
    Olha, você tem o poder de me convencer a assistir séries, e olha que não sou muito fã, mas essa eu já vi alguns pedaços e não curti. rs

    Beijão.
    clicandolivros.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  3. Pois é, enquanto lia esse post ficava pensando em uma série de livros que também leva o nome da família. Os livros e a série televisiva têm algo em comum?
    Gosto desse tipo de história, que envolve fatos reais e o que a gente gosta da dramaturgia também.

    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Até onde eu sei não, mas eles são bem "famosinhos", sabe? Qualquer uma das obras pode te mostrar a razão: a crueldade e a ambição da família Bórgia era sem limites...

      Excluir
  4. Oi,

    já ouvi muito falar dessa série e tenho vontade de vê-la! Seu post me deixou com mais vontade ainda, vou procurá-la agora para baixar!

    Bjs

    ResponderExcluir
  5. Oi!
    Eu agora fiquei deveras curioso de conferir essa série. Gosto de séries que abordam fatos reais e históricos.
    Já tinha ouvido falar sobre essa série, porém não tinha tido muita curiosidade e vontade de assisti-la.
    Enfim, curti muito o post. (:
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

    ResponderExcluir
  6. Isabel, ainda não assisti nada de Bórgia mas sempre acompanho as discussões que ela levanta - como se tivesse culpa de mostrar o que aconteceu. Gosto muito de séries históricas então fiquei com vontade de acompanhar, e como católico me é interessante conhecer capítulos não tão memoráveis da história da Igreja.

    Vou procurar assistir.

    ResponderExcluir
  7. Oie Isa
    eu assisti aos primeiros episodios e adorei. Fiquei chocada com as falcatruas da familia hahaha, mas adorei os atores escolhidos. Assim como the Tudors, algumas cenas de morte são bem pesadinhas, e eu me amarrei ainda mais rs
    bjos

    ResponderExcluir
  8. Faz tempo que estou enrolando pra ver está série, mas agora acho que vou finalmente assisti-la.

    ResponderExcluir
  9. Que interessante :)
    Vou procurar saber mais da série.

    Beijos
    http://caroleblablabla.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  10. Estou estudando o "estilo" Barroco, e essa série casou perfeitamente com esse meu tópico de estudo, não só pela suntuosidade da fotografia e dos aspectos visuais, como também pelos exageros e contradições existentes no roteiro e tão comum desse período da história e da arte. E eu já disse que você resenha maravilhosamente bem? Só pra reforçar a ideia.

    Beijos =*

    ResponderExcluir
  11. Nunca tinha ouvido falar da série, mas sem dúvida me chamou atenção, não só por ser de época quanto pelas imagens. A produção parece excelente e a personagem Lucrezia também me deixou curiosa, sem dúvidas a série entrou para minha lista.

    ResponderExcluir
  12. Eu já li vários elogios a série, mas nunca vi. Fiquei curiosa, vou procurar para assistir.

    bjks

    ResponderExcluir
  13. Já li sobre essa série, mas confesso que me deu preguiça quando vi o "sex" embutido. Já me saturo disso em Game of Thrones.

    ResponderExcluir
  14. Sou louca para assistir essa série. Adoro histórias nesse estilo! Como não tem taaaantos episódios assim, vou dar uma chance quando eu me organizar com minhas séries pendentes haha

    ResponderExcluir
  15. Muito boa essa série mesmo, estava acompanhando pela TNT e gostei demais. As roupas são muito bem feitas, o clima antigo é perfeito. Gostei mesmo. Quem não gosta de ver uma intriga envolvendo a igreja? Coisas escandalosas todo mundo gosta né xD
    E essa série de escândalo é que não falta...

    ResponderExcluir