Faz pouco tempo que comecei a realmente assistir filmes: só
há cerca de um ano, graças ao falecido MegaUpload, meu interesse pela sétima
arte tomou forma. Antes, eu era só sessão da tarde e esporádicos blockbusters
no cinema; depois, uma verdadeira miscelânea de diferentes filmes começou a
encher a memória do meu computador e tomar espaço no meu coração.
No início, eu não conseguia suportar filmes europeus:
comecei por “clássicos” e, mesmo sabendo que aquilo provavelmente traria algo
de bom ou inovador depois que eu me pusesse a refletir a respeito, não
conseguia deixar de achá-los insuportavelmente lentos.
Com o tempo me acostumei, gostei e consegui até mesmo
apontar um culpado para a minha impaciência com a produção cinematográfica do
velho mundo: os filmes hollywoodianos. Todos eles são frenéticos, com uma seqüência
de acontecimentos planejada de forma tão engenhosa para que o espectador de
maneira alguma tenha tempo para tédio. Comparando as versões americana
(resenhei aqui) e sueca de Os homens que
não amavam as mulheres, isso se torna mais claro ainda.
Mikael Blomkvist está enfrentando alguns dos piores dias da
sua vida: seguindo uma pista falsa de um ex-colega, o jornalista de economia
denuncia o investidor Wennestrom. Por não conseguir apresentar provas perante o
juiz, é condenado por difamação – o que consome todas as suas economias e lhe
rende alguns meses de prisão.
Afastado da revista do qual é sócio, a Millennium, Mikael
aceita uma oferta bastante inusitada do industrial Henrik Vanger: investigar a
morte de sua sobrinha Harriet, cujo corpo nunca foi encontrado. Ao se associar
com a jovem hacker Lisbeth Salander – que tem problemas de socialização tão
graves ao ponto de precisar de tutela do estado – Mikael descobre fatos e
mortes que vão muito além do mistério da complicada família Vanger.
Como disse no início, Os homens que não amavam as mulheres é
lento. Embora o livro de Stieg Larsson tenha de fato um potencial para o
suspense, isto não se dá sem certo esforço e adaptações no enredo – coisa que os
roteiristas suecos não quiseram fazer. Se para um lado pode ser péssimo para
aqueles não acostumados a este estilo, por outro, é bem mais fiel ao livro: os
elementos principais – sobretudo a gloriosa defesa das mulheres – são preservados.
Impliquei com Daniel Craig como Mikael na versão americana,
mas dessa vez não tenho sobre o que reclamar no campo de elenco: Michael
Nyqvist encarna o jornalista de forma perfeita, sendo somente heróico o
suficiente para salvar sua própria pele – não ofuscando assim a verdadeira
estrela, Lisbeth. Noomi Rapace, que a interpreta, supera a já maravilhosa
Rooney Mara: os aspectos anti-sociais da hacker me pareceram mais reais por sua
interpretação.
Aliás, real é uma palavra muito boa para descrever Os homens
que não amavam as mulheres. Como é de se esperar numa série que tenha misogenia
como seu foco principal, cenas e relatos fortes são inevitáveis. Por si só, ver
mulheres agredidas é desagradável, mas o diretor conseguiu torná-las mais
ainda. Sei que é de função do cinema reproduzir a realidade. Não quero que tudo
seja feito em Barbie, a princesa da ilha – mas tem certas coisas das quais eu
prefiro ser poupada.
Nota: 4/5
Finalmente um filme que assisti: e no cinema!
ResponderExcluirEngraçado que qdo passou a versãe americana deste filme, vi o trailer fiquei muito confusa: será que eu estava tendo um dejavu? Demorou para cair a ficha, especialmente pq a cópia americana é uma cópia mesmo!
Gostei muito deste filme e foi até covardia colocar o Daniel Craig na atual versão americana: é claro que a Lisbeth ia deixar de ser lésbica...rs
Geralmente gosto muito de filmes que vieram de livros: Raramente decepcionam.
Bj
Já ouvi falar dos livros e dos vários paises que fizeram o filme.
ResponderExcluirAmo tb livros que viram filmes, mas não qndo o filme muda e acrescenta cenas que não exitiam. Fico muito irritada com isso.
manuscritodecabeceira.blogspot.com
Bjs.
Não assisti ainda nenhuma das duas versões, mas estou louca para fazê-la. Queria ver a versão sueca, porque, sinceramente, gosto mais dos filmes europeus do que americanos. Assisti Deixe ela entrar na versão sueca e amei! Acho que essa versão deve ser muito boa também. Mas já fui avisada quanto a violência contra mulheres, por isso estou hesitando um pouco. Esse tipo de coisa mexe muito comigo ):
ResponderExcluirAinda não assisti nem a versão americana! E vou ser sincera,não é um filme que eu estou super animada pra ver,mas se recebeu tantos elogios,até que marece uma chance,rs. Beijos ;*
ResponderExcluirNão tive a oportunidade de assistir a versão sueca desse filme, tampo li os livros da trilogia, embora eu tenha bastante interesse. Portanto, não tenho como diferenciar as adaptações, mas tenho que dizer ainda que seus comentários são bem esclarecedores, o que mostra que você soube distinguir ambos os filmes graças ao seu olhar crítico. Gostei muito.
ResponderExcluirUm abraço!
http://universoliterario.blogspot.com.br/
Sabe o que eu mais gostei desse filme? Lisbeth é bem retratada como uma figura esteticamente assustadora, mas não passa de uma garota. A gente vê bem isso nas cenas de violência contra ela. Depois, quando ela "devolve", a gente vê que ela não é qualquer garota. Ela sabe a hora de crescer e usar seus "poderes" contra quem for. Preciso ver os outros filmes e a versão americana, que já tenho aqui, mas não parei ainda.
ResponderExcluirVi ontem "Suicide Room", só lembrei de você. Achou um pouco exagerado e meio bobo, já que o protagonista não passa de um garoto mimado que resolve ficar puto ou triste com tudo por, simplesmente, não ter mais o que fazer. O bullying é pouquíssimo explorado, então não se torna motivo para ele ter feito o que fez, muito menos seu amor pela garotinha de cabelo rosa. Mas achei o visual muito máximo, inclusive o misto com 3D. Curti sim.
E em breve falo mais da nova série de livros, pode deixar.
Beijão!
Ainda não assisti o filme em nenhuma das versões, mas quando assistir vou tentar ver as 2 para poder comparar :)
ResponderExcluirEu não sou muito de assistir filmes europeus, mas eu gosto deles!
E não tem como, dificilmente os filmes ficam iguais aos livros, né? :/
Amo cinema, portanto já estou realmente acostumada com o ritmo, a lentidão, a direção comparada a euforia Hollywoodiana. Eu li os livros, e os considero bem melhor.
ResponderExcluirVi as duas versões. Posso dizer uma coisa? Me assustei um pouquinho. Mas é bom. A versão americana ainda teve aquela abertura com a música do Led Zappelin - muito "demais", quase babei na hora.
Concordo com você. A maneira como foi retratada a personagem Lisbeth, ela é uma mulher e uma garota ao mesmo tempo. As cenas de violêncio e tudo mais. Sou fã de bons filmes.
Já viu o filme Sleeping Beauty - não é a Bela Adormecida. É um filme com a Emily Bowing que fez Desventuras em Série - que eu adoro. Bom, queria a sua opinião. Acho que esse é o único filme do qual não tenho opinião formada. Assustador ou perfeito?
Assista, por favooooooor!? *---* Depois me diz o que achou. Vale a pena.
de fato, a cena de abertura da versão americana é de tirar o fôlego. obrigada pela indicação, vou assistir sim! adoro os trabalhos da emily bowing :) quando resenhar, te aviso :DD
ExcluirNão assisti ao filme americano, mas esta versão com certeza me ganhou. Apesar de gostar do Daniel Craig, a imagem tão bem formada que eu tive do Michael no filme sueco, não deixa a minha imaginação pensar em outro vivendo este papel.
ResponderExcluirO filme foi bem real ao livro, e eu curti muito esta adaptação. Resta assistir o segundo filme, que acho que já foi lançado por lá.
bjos