21 setembro 2012

Revolution (série)




Como o próprio nome do blog diz, livros, filmes e séries sobre um fim do mundo sem esperanças são a minha praia. Graças a sucessos como Jogos Vorazes, distopias literárias estão em alta (em alta demais, eu diria – alguns livros do gênero são bastante fracos, feitos somente para “aproveitar a onda”) e graças aos nerds fãs de ficção científica, não posso reclamar do número de filmes que encontro com governos despóticos. Se é distopia “de verdade” não sei (o pessoal do blog Nem um pouco épico conceituou o gênero melhor do que eu aqui) mas consegue me satisfazer.



Mas séries com esse tema estão em falta. Das poucas que existem, a maioria segue a linha pós-apocaliptica e é rara uma de qualidade – sem pensar muito, só conseguiria citar Jericho (do roteirista Stephen Chbosky, mesmo autor do meu livro preferido, As vantagens de ser invisível).

Por isso que desde que ouvi falar de seu lançamento, apostei alto em Revolution, do canal americano NBC: parecia ao mesmo tempo possível e ambicioso, uma série que valia a pena conferir. E, pelo primeiro episódio, posso dizer que não me desapontei.

Sem aviso prévio – nem mesmo um conflito ou guerra acontecia no momento – a energia se vai. Não falo só de energia elétrica: carros, aviões e geradores particulares de hospitais e estabelecimentos comerciais também foram atingidos.


O caos (não muito retratado no primeiro episódio) foi enorme: usamos energia para tudo, desde bombear água, passando por comunicação básica e indo até produzir alimentos. Podem me chamar de louca, mas me preocupo com essa possibilidade: sempre inquiro meu pai (que morou bastante tempo na zona rural, onde a vida é menos ligada a tecnologia) sobre métodos de agricultura, plantas venenosas e outras coisas que poderiam ajudar uma criança do asfalto a sobreviver em um mundo mais desconfortável.

E sim, a humanidade tem que reaprender a viver em Revolution: quinze anos depois, a vida se tornou tão local quanto era na idade da pedra. Grandes governos como o americano caíram, dando lugar a milícias que disputam área entre si, e todos aqueles com um pouco de juízo migraram das cidades (onde doença e escassez se espalhavam) para o campo.



Uma criança quando o apagão ocorreu, Charlie vive em uma dessas “vilas” rurais quinze anos depois do apagão. A morte da mãe das crianças foi o suficiente para que Ben, seu pai, se tornasse super protetor com ela e seu irmão, Danny, não os deixando sair nem mesmo para vilas próximas. A vida é chata, mas é tranquila e segura – e é isso que acontece.

Até que os homens da Monroe chegam.

A milícia Monroe é a que controla a vida na área em que Charlie e sua família vivem e, de maneira geral, não incomoda muito os habitantes – desde que paguem os impostos sazonais em forma de parte da colheita.
Mas os impostos estão pagos e objetivo dessa vez é bastante diferente: levar Ben ao general Monroe, que crê piamente que ele possa saber como religar o sistema de energia – dando então um poder incrível a milícia, capaz de fazê-la controlar todo o país.



No calor do momento, Danny e outros habitantes da vila tentam salvar Ben – a Monroe nunca fez nada de bom por eles para lhes dar direitos tão grandes.  Ben é então atingido, morre e Danny é levado em seu lugar, dando a Charlie três missões: achar seu irmão, descobrir o porquê do interesse em seu pai e, finalmente, ver o mundo além dos horizontes da vila.





O piloto de Revolution foi impecável. O mistério em torno de Ben e seu trabalho pré-apagão é muito instigante. Ainda que ele tenha morrido no primeiro episódio, esse não será o fim de sua aparição na série: como muitas outras criadas por esse produtor, ela é estruturada recheadas de flashbacks que nos revelam pouco a pouco o passado (portanto, nos ajudam a compreender suas ações) dos personagens. Charlie convence muito como protagonista: ela é bonita demais para alguém que vive sem condicionador, mas tem o perfil de mocinhas distópicas “kickass” como Katniss Everdeen ou Saba. Não posso julgar Danny ainda, mas Aaron, melhor amigo de Ben e companheiro de jornada de Charlie, parece ser um daqueles personagens secundários engraçados e inesquecíveis, como Hurley, de Lost.



Aliás, como eu disse lá em cima, não há nenhum seriado distópico que eu conheça que fale de governos ditatoriais. Ainda que seja o apagão o centro de Revolution, a milícia Monroe parece ser uma versão um pouco mais leve e menos controladora disso – mas só os próximos episódios poderão dizer.

Enfim, Revolution promete bastante. Meu único receio quanto a série atende pelo nome JJ Abrams: o produtor executivo de Lost é especialista em criar séries fantásticas e estragá-las, emaranhando-as em uma teia de mistérios que nem mesmo o mais habilidoso criador conseguiria desembolar. Espero que não faça isso dessa vez: não é todo dia que encontro uma nova série para chamar de favorita. 


20 comentários:

  1. E vamos torcer para que J.J não estrague tudo, como ele fez a partir da terceira temporada de Lost! ( eu parei de assistir, só de raiva!)
    Falando em distopias, tive muitas no último mês por aqui, quando ficamos dois meses sem uma gota de chuva...
    Tenha uma ótimo final de semana, Isabel!

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  2. Achei o piloto um erro. Foi previsível pra caramba, não apresentou novidade nenhuma pra mim dentro do gênero (Lost teve desde o começo, assim como Taken, que apesar de ter sido uma minissérie, mostra bem como trabalhar num "piloto"). Enfim, achei muito chato, tirando as coreografias de luta, que ficaram legais. Vou esperar mais uns cinco episódios pra ver de uma vez, pra ver se a série vai.

    E abri o site novo! Esse planeta tá me fazendo super feliz, saca? Não que o Alienrique não estivesse, mas esse é mais, hmm, EU. www.discipulosdepeterpan.com.br

    BEIJO!

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  3. Adoro seriados distópicos!
    Este me lembrou muito de Falling Skies e V!

    Beijos,
    Vinícius - Livros e Rabiscos

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  4. Como assim eu não conhecia essa série ainda?
    Graças a você, vou começar a assistir essa série.
    E que bom que está no ínicio. rs!
    Obrigado pela dica! Vou conferir sim!

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  5. Vou anotar a dica, rs, nunca o assisti, mas parece sensacional. Espero que seu medo não se torne realidade e ele não consiga estragar essa série que parece fantástica, hahahah.
    BEijo!

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  6. Bah, gostei da série! Muito boa sua descrição dela né, vamos ver quando poderei vê-la ><

    Beijos
    Meu outro lado

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  7. HEHEHEHE, eu curti muuito o Pilot ;)
    Digamos que estou acompanhando a série e sei que não vai me decepcionar *-* Eu sinto que os personagens a cada episódio irão evoluir... :Ç
    Ótimo post HOHO Beeijão ;*

    Ewerton Lenildo - @Papeldeumlivro
    papeldeumlivro.blogspot.com

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  8. eu gostei dessa série mas ela tem suas falhas acho que a mocinha (charlie) esta muito bem vestida para quem vive num mundo sem energia sendo que outros personagens usam roupas surradas, e acho que deveriam mostra como eles estão sobrevivendo em um mundo sem energia qual a técnica que eles usam além de plantar e etc e tal.

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  9. Eu lembro de Jericho... Achava esta série ruim demais:)
    O pilot de Revolution foi muito fraco, a ideia básica da série é boa, mas acho que o primeiro episódio tem a obrigação de ser OMG. MAL POSSO ESPERAR PELO PRÓXIMO EPISÓDIO! E não houve isso de minha parte, mas antes de desistir, vou esperar pra ver se a série decola.
    Billy Burke é muito bacana, pra mim ele é o protagonista. Este Danny se mostrou a anta da vez, não gostei do personagem e o pior é que acho que as coisas serão focadas no "resgatar o idiota".

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  10. A distopia é realmente um gênero muito pouco abordado (até então, porque depois que começaram as distopias no mundo literário estamos com cada vez mais séries, filmes e livros sobre tal, mas como você mencionou, nem todos com muita qualidade) e cheio de um milhão de possibilidades! Adorei a trama dessa série pois me lembrou de um documentário que eu vi onde diziam que o fim do mundo começaria com um apagão! De vez enquanto também me pergunto como seríamos sem toda essa tecnologia e achei bem bacana a série abordar isso.
    Já posso dizer que de cara não gostei da protagonista, como você falou, ela é bonitinha demais... Katniss me ganhou por dizer, sem delongas, que não se depilava... sim, é muuuito estranho quando você gosta de um personagem só por isso, mas aconteceu... Sou completamente apaixonada por livros, séries ou filmes que te trazem uma realidade, aquele tipo que diz que a menina tava chorando e que ficou toda horrorosa e cheia de ranho e não aquele tipo que ela chora e continua com o cabelo impecável. Contudo, o fato da mocinha ser a lá kickass, como você disse, já melhora um pouco as coisas.
    Quando der uma aliviada na correria que está o meu dia a dia com certeza vou ver a série!
    Ótimo post.
    Dá uma passadinha lá no blog?
    Beijos.
    Caroline.
    http://comaliterario.blogspot.com.br

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  11. Engraçado, a descrição dessa série me pareceu uma retrospectiva para Idade Média. Viver sem nenhum recurso tecnológico e pagar tributos na forma uma porcentagem da colheita é algo bem feudal. No entanto, o que mais me chamou atenção nesse post foi a camiseta do cara da segunda foto, com o logo do AC/DC. Sou simplesmente apaixonada pela banda e estou vibrando com os rumores de um show deles em São Paulo o ano que vem. Será? Ai ai, muito emoção meu Brasil.

    Beijos, boa semana!

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  12. Não sabia da existência dessa série e pelo que você escreve me interessei muito e espero poder vê-la em breve. e espero que J.J não estrague ela como fez com Lost, que no começo era bem legal, mas depois começou a me irritar e desisti de acompanhar rs.
    Beijos!

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  13. Medo do JJ eternamente.
    vou acompanhar essa série, deixa só eu colocar as pendências em dia e meu óculos chegar :) rsrs

    adorei o post

    bjs

    www.amodernpinup.com

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  14. Quer saber de uma coisa? Estou indo baixar essa série exatamente agora. Tava em falta com uma série distópica e como eu sou uma pessoa apaixonada por séries e essa é com certeza um achado. Dependendo da lista de episódios que tenho que assistir das séries que já assisto, eu assisto agora mesmo ou então terei de esperar um pouco.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

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  15. OI Isabel!

    Já vi em sites essa série, mas nunca cheguei a ler nada. Pelo que disse, parece a parte distópica a tentativa de sobreviver no mundo caótico. Não sei se pararia para v^ê-la agora, tenho tantas atrasadas rs..Tomara que não estraguem a série como vc disse. Antes que a série tenha poucas temporadas e termine bem, do que tentar forçar mais coisas e estragá-la.

    Beijos :D

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  16. Nunca tinha ouvido falar dessa série Revolution, mas fiquei com muita vontade de assistir, sério! Acho que vou aproveitar que estou tirando uma folga esse fim de semana e vou baixar pra assistir :p heheh
    Jericho eu já tinha visto no site que baixo séries, mas nunca tinha parado para ler do que se tratava a série, depois vou dar uma olhadinha.

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  17. Eu gostei do plot da série, sempre penso em como somos dependentes da energia para tudo, e o que aconteceria se não tivessemos ela.
    Eu não gostei muito do pilot, mais vou ver a série por que tive a sensação de que vai ficar melhor.

    Beijokas

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  18. Assisti todo a primeira temporada. Gostei muito, principalmente das lutas que ficaram bem feitas (fiquei traumatizado com as batalhas no Game of Thrones, os caras mal se mexiam e os movimentos eram lentos e duros). Estou ansioso para a segunda temporada!


    Ah, não precisam ter medo do que aconteceu com Lost, a trama vai sendo explicada com os flashbacks que ocorrem ao longo dos episódios.

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  19. Já assisti até o 8º episódio desta 1ª temporada e posso dizer que me cativou muito esta série. Os flashbacks que explicam onde estavam os personagens na época do apagão não são longos ou enfadonhos e estão sempre inseridos nos momentos corretos para ajudar a entender a trama. Adorei!!!.

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  20. A série Revolution foi uma excelente produção, agora eu vejo uma série muito semelhante a Leftovers 2, onde um estranho desaparecimento é a razão que irá mantê-lo encantado em cada capítulo. De qualquer forma, ambos são excelentes.

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