02 janeiro 2015

Star-crossed (série)


O canal americano The CW vem aparecido com boas séries de ficção científica nos últimos tempos, mas é uma pena que muitas delas compartilhem dos mesmos problemas. No caso de The Tomorrow People, a qualidade da história não compensava muito tais defeitos, mas com The 100 e a infelizmente já cancelada Star-Crossed, vale a pena conferir.

Nunca me considerei uma grande fã de história de alienígenas – na verdade, todo meu amor por histórias de ficção científica repousam na distopia, e até mesmo clássicos do gênero como Blade Runner demoraram um pouco a me convencer. Depois de terminar uma maratona de V durante as férias, porém, resolvi abrir um pouco mais a cabeça para o gênero – afinal, não muito diferente de muitas das coisas que escrevo – e Star-Crossed me rendeu umas boas horas de diversão.

Em 2014, uma nave alienígena cai nos arredores de uma comunidade suburbana nos Estados Unidos (aquelas dos filmes, com casas e carros gigantescos e cerquinhas brancas), trazendo centenas de extraterrestres chamados Atrians. Os Atrians tem marcas no corpo, órgãos internos diferentes e pouca adaptação à clima secos, mas fora isso, sua aparência é bastante semelhante aos humanos e a sua tecnologia (ao contrário do que costuma acontecer em histórias do tipo) não é superior ou inferior, apenas diferente.


Com medo de uma possível invasão, o governo estadunidense prende os Atrians dentro de um setor militarizado, uma pequena comunidade de onde os mesmos não podem sair em hipótese alguma. Dez anos depois, como parte de um programa de inclusão, porém, sete Atrians são escolhidos para ir à escola de ensino médio local, na esperança de que a convivência entre as duas espécies traga mais paz e aceitação entre eles.

A ficção científica e a fantasia são duas das melhores formas de metaforizar a nossa sociedade e refletir sobre os nossos problemas – no caso da primeira, a retratação de minorias é constante, seja pelas figuras de clones, robôs ou, no nosso presente caso, de alienígenas.


Não é preciso saber muito sobre as lutas dos grupos de direitos civis dos negros, por exemplo, para perceber que a dificuldade de aceitação dos Atrians por parte dos humanos é baseada em fatos reais. Nos esportes – um pilar importantíssimo da sociedade americana e, de maneiras e em níveis diferentes, de qualquer sociedade ocidental – por exemplo: mesmo que já tivesse sido cientificamente provado que os Atrians não possuem nenhuma doença ou bactéria que possa ser danosa aos humanos, uma mãe se desespera ao saber que uma alien e sua filha nadarão lado a lado. Depois de um golpe baixo por parte da equipe rival, porém, o time composto por humanos e extraterrestres se une relutante e temporariamente para ganhar, uma boa mostra da realidade – como quando países racistas e/ou xenofóbicos gritam apaixonadamente em apoio a seleções de futebol compostas majoritariamente por jogadores negros ou imigrantes.


Mesmo com os Atrians fracos e presos, não demora que surja um grupo a favor da exterminação dos visitantes, os Red Hawks – com métodos e discursos bastante parecidos com de grupos reais como o Ku Klux Klan, eles não hesitam em praticar atentados (pequenos mas eficazes, como provocações constantes na escola e grandes, como tentativas de tortura e assassinato) contra os sete Atrians escolhidos para cursar o ensino médio.

O fato de que há entre eles dois realmente importantes para a comunidade Atrian deixa a coisa ainda mais atraente para os Red Hawks: Sophia e Roman, os filhos do líder, foram escolhidos para o programa. Embora Sophia seja de longe uma personagem mais interessante, é em Roman (e em um romancezinho besta – ah, quando vocês vão aprender?) que a série infelizmente se foca.

No dia da chegada dos atrianos, Roman foi instruido pelo seu pai a fugir, se escondendo então no celeiro da primeira casa que encontrou – coincidentemente a casa de Emery, que o descobre escondido e o ajuda como pode durante algumas horas, quando o exército finalmente o encontra. O destino é irônico, e os dois acabam indo para a mesma classe – Roman indo à uma escola humana pela primeira vez; Emery voltando à mesma depois de quatro anos no hospital tratando de uma deficiência na sua imunidade.

O romance é interessante na medida que retrata algo bastante real – assim como os nazistas e facistas em geral, os Red Hawks tem completo horror à miscigenação e não reagem bem ao namoro que floresce entre as paredes da escola. Porém, a falta de habilidade dos atores que fazem Roman e Emery e a personagem irritante que a garota é (com tiques de mocinha em perigo e hábito de ver tudo como o simples bemxmal) estragam um pouco a magia da coisa – e quase estragam a série.


Felizmente, temos personagens secundários interessantissimos como Sophia, a irmã de Roman; Julia, a melhor amiga de Emery e Drake, um dos outros aAtrians escolhidos para o projeto de integração. Drake é, aliás, a abertura para um outro lado da história: os Trags, uma milícia de resistência que quer acabar com os humanos e colonizar a terra.

Criando empatia pelos nossos simpáticos alienígenas, Star-Crossed faz com que sintamos um pouquinho da dor e dificuldade das minorias ao romperem suas primeiras barreiras. Como seu cancelamento nos faz supor, não é uma série por se chorar e torcer por, mas vale uma maratona em uma noite de tédio.

Em dezembro, Star-Crossed começou a ser exibida pela MTV Brasil.

12 comentários:

  1. Eu gosto desse gênero hehe. Ainda não conhecia a serei e gostei da sua dica. E como as series que acompanho estão todas paradas, acho que vou conferir um episodio e se gostar continuo assistindo.

    Blog Prefácio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Siim, essa época de "vacas magras" para séries de TV é péssima hihi Vou até fazer um projeto aqui no blog para conferir as estreias da chamada ~midseason~, pq tá complicadinho em termos de série...

      Excluir
  2. Não conhecia essa série e achei bem interessante, mas que pena que a série foi cancelada =(
    Parabéns pelo texto, ficou ótimo!!! Sucesso!!!
    Beijinhos!!!

    Leituras, vida e paixões!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada! Foi uma pena o cancelamento mesmo...

      Excluir
  3. Oi, Isabel! Ainda não conhecia a série, mas o seu post me deixou bem curioso e com vontade de conferir a história! :)

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Olá!
    Não sabia e nem conhecia a série, aqui em casa meu pai e eu amamos o gênero e MTV ainda! Haha estou acompanhando, aliás, vou tentar.
    Muito bem explicado seu post e me instigou.

    Beijos!
    De tudo um pouco

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acompanhe sim, são poucos eps e vale a pena :)

      Excluir
  5. Olá,
    Não conhecia esse seriado, aliás, estou meio cansada deles por esses tempos. Em 2013 eu passava minhas tardes assistindo seriado e acho que desde 2014 eu meio que saturei, sabe? Não consigo acompanhar mais, mas assim que minha vontade voltar eu pretendo conferir.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tive uma época dessas tb! Realmente tem vezes que enche o saco... Enfim, obrigada por comentar!

      Excluir
  6. Já tinha ouvido falar dessa série, mas nunca fui atrás pra saber mais a respeito. Que legal! Sério, tem uma premissa bem interessante, e eu adoro The 100, então provavelmente iria gostar dessa também. Mas porque foi cancelada? :/ baixa audiência?

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem post novo no blog de "A Lista de Brett", vem conferir!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aparentemente não tava tão baixa assim, mas o problema foi que os chefões do canal não tavam curtindo mt o rumo dado a série pelos produtores... :( Uma pena!

      Excluir