12 fevereiro 2013

4 livros para quem não gosta de ler ou campanha de incentivo à leitura




Outro dia estava escutando o podcast Papo na Estante e, entre várias ótimas colocações, um dos participantes falou algo como “o Brasil precisa mais dessa literatura arroz com feijão”.

O termo ficou na minha cabeça por dias. Literatura arroz com feijão, aparentemente, é aquela despretensiosa, feita para divertir e entreter o leitor, não para suscitar discussões acadêmicas, embates filosóficos e crises existenciais. Sim, eu leio livros mais densos como Os sofrimentos do jovem Werther ou Os irmãos Karamazov, mas não é o tipo de coisa que você quer depois de um dia cheio e cansativo.

Partindo desse ponto, os convidados chegaram a outra questão: a escola (onde a grande maioria, infelizmente, entra em contato pela primeira vez com a leitura) não ajuda muito nessa formação leitora, inserindo esses tais livros densos em fases inadequadas. Não só por uma questão de linguagem – a de Machado de Assis, por exemplo, está longe de ser um bicho de sete cabeças – mas de experiência de vida. Não que um aluno do ensino fundamental não possa gostar Dom Casmurro (eu amei!) mas mais provavelmente alguém mais velho relacionaria as situações ali dissecadas com sua vida de forma mais eficiente, compreendendo porque essa é, afinal, uma das obras mais respeitadas não só no Brasil, mas no mundo.



Blábláblá a parte, devo ser mais ou menos a última a responder o selo de Incentivo a leitura – para o qual fui indicada umas cinco vezes, mas só consegui achar meu nome no post da Dasty-Sama e no Alacaazam – mas não por achar a ideia ruim, muito pelo contrário. Só achei o meme bem complicadinho de se escrever, porque não consigo me lembrar de nenhuma época em que a leitura não fizesse parte do meu dia-a-dia. Não existiu livro que me fez começar a gostar de ler. Depois de matutar um pouco, porém, cheguei a essa seleção – sim, sou rebelde, não escolhi um só.




1. Matilda, de Roald Dahl (também autor dos magníficos As bruxas e A fantástica fábrica de chocolate)





Acho bastante essencial para o autor fazer com que seus personagens sofram. Quem simpatiza com alguém de vida perfeita? Desde os dramas semi-adolescentes da chick-lit até o horror do holocausto em O diário de Anne Frank – em qualquer grau, o sofrimento é essencial na literatura.

Matilda tem um dos problemas mais sutis e constantemente dolorosos que já vi: ela não é amada pelos pais. Pequenas humilhações no dia a dia somados com falta de amor e carinho poderiam torná-la uma criança emburrada e problemática, mas ela era simplesmente inteligente demais para isso. Com a descoberta do maravilhoso mundo da leitura (olha a metalinguagem aqui) a menina encontra não só uma válvula de escape, mas inspiração para se impor em casa. A adição de um leve toque paranormal e de duas personagens interessantemente opostas (o tipo de maniqueísmo aceitável no gênero) a rude diretora Sra.Taurino e a adorável professora Srta.Mel tornam a história única e inesquecível.

2. Querido diário otário, de Jim Benton 



Tenho um pezinho atrás com qualquer livro teoricamente feito para o “público feminino”. Os consumo aos montes, mas não posso deixar de reconhecer o machismo – as vezes leve e semi-inofensivo, as vezes quase criminoso como em Crepúsculo ou Cinquenta tons de cinza –  em (sendo boazinha) nove entre dez deles.

Isso atinge mesmo os infanto-juvenis, o que, na minha opinião, é milhares de vezes mais perigoso – de forma geral, garotinhas tem menos discernimento para detectar que há algo errado ali. Considerando que Christian Grey e Edward Cullen são postos como ideal romântico por muitas mulheres adultas, isso é muita coisa.

Mas eu presenteio qualquer menina de dez anos com Querido diário otário sem um pingo de culpa. Jamie Kelly é a carismática e super sincera protagonista que, em suas tentativas de ser mais bonita do que sua colega Angelina, mostra o quão inútil é tentar se encaixar nos padrões. Cheio de ilustrações e bastante engraçado, o autor faz algo que venho valorizando em qualquer gênero: colocar as amizades acima de possíveis interesses românticos.

3. Mau começo



O que os órfãos Baudelaire passam nas mãos do conde Olaf dificilmente poderia ser listado. Depois da morte dos pais, eles são colocados nas mãos do excêntrico e ganancioso ator, que não mede esforço para conseguir sua fortuna. Já elogiei Desventuras em série milhares de vezes, mas não custa mais uma: com linguagem simples, mas cheia de sutilezas, é um daqueles livros que pode ser amado por qualquer um, de qualquer idade.

4. Anna e o beijo francês, de Stephanie Perkins



Mudança brusca, menino bonito com namorada, amigos engraçados. Pode parecer que você já viu Anna e o beijo francês, mas acrescente Paris como cenário e uma forma maravilhosa de contar.

Kaboom. A mágica anti-clichê se fez aqui.

Com ironias sutis (o pai de Anna, por exemplo, é um escritor de romances água com açúcar que seguem fórmulas prontas – oi, Nicholas Sparks) Anna e o beijo francês é uma delícia de se ler. O enredo aparentemente clichê desperta a curiosidade, e as páginas se passam sozinhas.


BÔNUS: The Lizzie Bennet Diaries





Tá, sei que é meio que trapaça – o meme é para livros. Porém, não dá para deixar de citar The Lizzie Bennet Diaries como um ótimo empurrãozinho para aqueles que querem começar a ler os clássicos.

As palavras “adaptação moderna do clássico X” soam para mim como unhas em um quadro-negro. É fato que isso raramente dá certo, e esses poucos casos geralmente se referem àqueles que não tentam pegar timtim por timtim da história, e sim somente os aspectos gerais.

É por isso que The Lizzie Bennet Diaries (TLBD) se destaca: é fantástico exatamente por ser uma “adaptação moderna”, neste caso, do clássico Orgulho e preconceito de Jane Austen, que não força situações mas consegue manter o enredo. Devo confessar que esse nunca foi meu livro favorito da autora (na verdade, fica em terceiro lugar) mas desenvolvi um carinho extra por ele graças a TLBD.



TLBD é o vlog da Lizzie Bennet dos dias modernos, uma estudante de pós graduação com uma mãe louca e dívidas para pagar. TLBD tem um conceito transmedia, com postagens constantes no Twitter, no Tumblr além de outros vlogs que não os da Lizzie. Para quem sacar de inglês aqui é o canal original, mas Larissa Siriani os legenda aqui

PS.: Ao contrário do que muita gente pensa, não é necessário acompanhar a história por todos os canais, twitter e tumblr para entender: isso seria inviável. Basta só o canal da Lizzie mesmo, mas eu gosto bastante do Pemberley Digital e do da Lydia.


As regras dizem que não dá para passar o meme para quem quiser pegar, mas a maior parte dos blogs que sigo já fez. Só para não ser tão rebelde assim: LucianoÁgataCida e Luara.

29 comentários:

  1. A série querido diário otário, mesmo com seus defeitos, é divertidíssima!

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    1. Sim sim, super engraçada e Jamie tem bastante personalidade - principalmente se comparada com mocinhas do gênero de forma geral...

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  2. Oi Isabel!
    Muito legal esse post... Eu não curtia os livros que tinha que ler por obrigação na escola, mas sempre arranjava tempo para ler livros que pegava na biblioteca. Amava a coleção Vaga Lume!
    Não conhecia The Lizzie Bennet Diaries mas quero conhecer, adoro Orgulho e Preconceito!

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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    1. TLBD é muuito legal, e vale bastante a pena!

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  3. Adorei o post, desses livros só li Mau começo.
    acho que a o hábito de ler está voltando aos poucos mais está voltando na vida das pessoas
    beijos

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  4. Adorei o post, ficou muito legal!
    Na época do colégio eu adorava ler a coleção valume *-*
    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa
    http://www.facebook.com/BlogEscutaEssa
    @blogescutaessa

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    1. Coleção Vagalume é vida! Com o ponto positivo de ser brasileiro...

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  5. Adorei o post, ficou demais mesmo.
    E Matilda é demais, nunca li o livro, mas o filme é demais.. hehe

    Bjos!

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    1. O livro é muuito bom também - para mim, foi até mais legal do que o filme, como geralmente aconteça.

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  6. Sou exceção: minha leitura começou na escola PÚBLICA, havia um tempinho para visitar a pequena biblioteca, e foi numa época em que o governo comprou "clássicos" mais coloridos, foi lá que li Jane Austen, as irmãs Bronte, Burnett e Conan Doyle, e antes dos 9 anos. Apesar disso, outras pessoas que também visitavam a biblioteca comigo não gostaram e acho isso completamente possível e normal.

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  7. Isabel, tenho curiosidade de ler Roald Dahl desde que assisti James e o Pêssego Gigante ;) Acho que sempre é tempo de se visitar os clássicos ;)

    Dois abraços.

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  8. A escola que eu fiz o fundamental teve grande influência no meu "gostar de ler", se não fosse por ela... Mas também só era assim porque era eu que decidia o livro que iria ler :) o/
    Acho que li toda a coleção "Meu primeiro amor" nessa fase. Alem dos clássicos adaptados tipo "Os Miseráveis"
    Beijos,K.
    Girl Spoiled
    P.S: Tinha parado de assistir TLBD por causa da legenda, mas agora...

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  9. Belo post, adorei. O livro "Matilda" fez parte da minha infância, e agora estou morrendo de vontade de reler... =]

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  10. Amei muito todas as indicações! Só não fiz o meme porque não gosto desse negócio de indicar os blogs, me dá preguiça.

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    1. Preguiça eterna tb! Por isso sempre indico menos do que o que pedem.

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  11. Achei super difícil de fazer esse meme. Comecei a ler a pouquíssimo tempo e ano passado tive de me distanciar de tudo por causa do vestibular, o que resultou em menos livros lidos - só li os obrigatórios.
    Nunca li "Mau Começo" (nem sabia que era esse o nome) mas o filme eu acho chato, cansativo, blabla... do resto eu não conheço e nem sei a história, mas gostei de Matilda!
    Beijos

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  12. Que interessante o The Lizzie Bennet Diaries, fiquei com aquela vontade de ler!
    Anna o Beijo Francês é amor demais. Super gostoso de ler e realmente ótimo pra quem não gosta muito de "perder" tempo lendo.

    Beijão
    Sun Rises Here

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  13. Só conheço Matilda e Mau começo das adaptações cinematográficas, e os demais livros ainda não consegui ler. Anna eu tenho há um tempo, espero incluí-lo entre minhas próximas leituras. ;D
    Lizzie Bennet eu já assisti alguns vídeos, achei muito criativo, fez uma adaptação super moderna sem perder a essência.

    Beijos

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  14. Concordo com tudo que tu falou no início e já entrei em discussão com meu ex-professor de literatura várias vezes sobre isso, mas enfim
    Adorei a lista que você deu, acho que as pessoas que querem ler apenas por se divertir e aquelas mais jovens deviam dá uma passada aqui nesse post.
    IN LOVE com querido diário otário, é uma onda kkkkkkkk

    Beijos

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  15. Matilda. <3
    Também acho que seria bem difícil responder a esse meme pq sempre gostei muito de ler.
    Nossa, adorei a trapaça no final com a indicação do maravilhoso TLBD! É um vlog muito bom e acredito que muita gente correu atrás de Orgulho e Preconceito só pra saber como é a história que deu origem a algo tão fascinante no youtube.
    Beijos!

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  16. Nunca li Matilda e sempre tiver enorme vontade de ler. Em compensação, já assisti o filme milhões de vezes (quem nunca?). Dos que você indicou, só li Desventuras em Série, mas gostaria muito de ler os outros.
    Adoooooooro The Lizzie Bennet Diaries e olha que eu nem gosto de Orgulho e Preconceito.

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  17. Acho muito legal esse selo, já respondi um desse! Nunca li o livro da Matilda, mas o filme, nossa hahahaha eu era viciada, assistia quase todo dia!

    Beijinhos <3
    Garota Inocente

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  18. Anna e o Beijo Francês é ótimo!
    The Lizzie Bennet Diaries, então... nem preciso comentar! Adoro! haha

    Beijos, flor.
    Nataly Nunes
    http://critiquinha.com/

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  19. Eu acho muito importante o incentivo a leitura e concordo plenamente que as escolas inserem livros densos demais a pessoas que normalmente não se interessam facilmente por leitura. Eu tive a sorte em ter conhecido Harry Potter e com ele ter me apaixonado pela leitura, mas nem todo mundo tem seu contato literário por livre e espontânea vontade. Então para esses é importante indicar livros mais água com açúcar ou feijão com arroz para iniciarem a leitura. Confesso que eu estou precisando ler livros mais densos ultimamente, estou muito nos chick list. AAAAAAAAHHHHHHHH The Lizzie Bennet Diaires *-----* Super recomendo a todos amantes de Orgulho e Preconceito e para os que AINDA não são. hahaha'
    Beijnhos
    Segredo de um Mundo

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  20. Já li Matilda, A Fantástica Fábrica de Chocolate e o segundo volume de Querido Diário Otário e amei (só não gostei muito de A Fantástica Fábrica de Chocolate, prefiro o filme :P). Quanto a Desventuras em Série, não sei se eu ia gostar de ler. Nunca vi nenhuma resenha sobre a série e tenho medo de ser muito cansativa.
    Beijos,

    Letícia
    www.odomdaescrita.blogspot.com

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  21. Concordo com você! O Brasil realmente precisa de mais leitura "leve" para que as pessoas comecem a se apaixonar pera leitura e criem tb o hábito de ler.. Livros mais leves realmente estimulam a leitura :)

    Beijos, Milena.
    Livros na Cabeça

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  22. Assim como a Dasty eu assisti Matilda um moooonte de vezes e agora quero ler o livro. Eu li "Querido diário otário", não gostei muito, mas é bom para passar o tempo.

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  23. Oieee!!

    Matilda eh realmente um otimo livro pra se comecar, lembro direitinho de quando lemos esse livro na sala de aula (eu tinha 8 anos, iamos pra uma sala onde sentavamos em roda encostados em almofadas *-*) eu adorei o livro!!

    Ja ouvi falar muito bem das adaptacoes de orgulho e preconceito(pelo que entendi tem varias certo? rs) mas nunca fui atras pra assistir, acho que ta mais que na hora de fazer isso rsrs

    bjoo

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